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Inteligência Artificial acelera automação das redes de telecom na América Latina

Previsão é que a maior parte das redes se torne 100% autônoma a partir de 2029. A maior parte das infraestruturas está no estágio 2 do TM Forum, quando a automação é baseada em intenção.

A maior parte das operadoras da América Latina está no estágio 2 da escala do TM Forum, no qual a automação é baseada em intenção, em busca da criação de uma experiência para o cliente e recursos de autocorreção e otimização em redes autônomas, utilizando objetivos de negócios definidos pela operadora. A meta de ter redes zero touch ou full autônomas ainda é bastante desafiante.

A automação e o modelo self-service são fundamentais para atender com agilidade e eficiência o segmento B2B e SMB, pontuaram operadoras e fornecedores durante painel que discutiu a digitalização e automação das redes e o uso de IA para otimização automática e detecção de anomalias na rede, no Telco Transformation Latam, realizado no Rio de Janeiro, nos dias 28 e 29 de agosto.

Redes zero touch, ou redes sem intervenção, referem-se a uma infraestrutura de rede que se autoconfigura, monitora, diagnostica e repara problemas de forma autónoma, com pouca ou nenhuma necessidade de intervenção humana. Felipe Sevillano, especialista sênior em Redes de Dados e transporte da operadora paraguaia Personal-Flow, informou que a empresa implementou uma série de automações, as quais permitem manter os KPIs de latência e experiência dos clientes em todos os níveis e camadas da rede, proporcionando detecção automática de falhas no menor tempo para respostas rápidas.

Para Luis Carlos Couto Souza, gerente sênior de core da Vivo, a digitalização é fundamental para uma rede com mais de 100 milhões de clientes e demandas latentes como o slicing do 5G. “Estamos no nível 3 do TM Fórum (em que a decisão passa a ser tomada por sistemas de inteligência computacional, mas ainda precisa da supervisão humana), por meio de programas de automação, virtualização e fundação de dados. Nossa meta é chegar ao nível 4”, sinalizou Souza.

 No nível 4, a rede consegue realizar algumas tarefas de maneira completamente autônoma, mas ainda se baseia em configurações de sistema. No nível 5, todas as operações da rede são realizadas de maneira autônoma por sistemas computacionais. A interação com a rede é realizada através de mecanismos de intenção, como modelos de linguagem natural.


Mauro Fukuda, diretor de Tecnologia, Estratégia e Arquitetura de Rede da V.tal, ressalta que a automação traz redução de custos, maior eficiência e menor opex. Um dos objetivos é a alocação dinâmica de rede e a manutenção preditiva.  “A nossa rede neutra conta com níveis avançados de automação no FTTH para que quando o técnico vá à casa do usuário já lide com processos automatizados por recursos de machine learning que detectam falhas. Também usamos Automação Robótica de Processos (RPA) para processo B2B. O uso de novas ferramentas de IA facilitam as interações com os técnicos em campo, diz Fukuda.

Ralf Souza, vice-presidente executivo de negócios da AMDOCS, ressalta que automação não é um recurso novo, mas a IA permitirá às operadoras avançarem do nível 2 para o 3, até chegarem ao modelo full autonomous previsto para 2029 quando se esperam mais de 200 aplicações. “Trata-se de uma meta que só a IA vai permitir alcançar, é um caminho longo, mas todas as operadoras estão perseguindo algum nível de automação”, afirmou Souza.

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