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Relatório global sobre data centers aposta firme no Brasil, mas mercado ainda espera Redata

Brasil aparece no relatório da agência Moody’s, que estima em US$ 3 trilhões (R$ 16 trilhões) os aportes globais nos próximos cinco anos.

O Brasil pode se tornar um dos principais destinos mundiais de investimentos em data centers nos próximos anos, impulsionado pelo avanço da inteligência artificial, da computação em nuvem e da digitalização da economia. O país aparece no relatório da agência de classificação de risco Moody’s, que estima em US$ 3 trilhões (R$ 16 trilhões) os aportes globais nos próximos cinco anos, em ritmo liderado por hyperscalers e pela corrida por capacidade para IA.

Hoje, o Brasil ocupa a 12ª posição no ranking mundial de data centers e lidera com folga na América Latina, concentrando cerca de metade do mercado regional e aproximadamente 200 instalações. Entre 2026 e 2030, o país deve atrair entre R$ 60 bilhões e R$ 100 bilhões em investimentos, segundo estimativas do setor.

O avanço é explicado por fatores estratégicos como a oferta abundante de energia renovável, disponibilidade hídrica e o posicionamento geográfico no tráfego internacional de dados, sustentado por cabos submarinos. Parte desse impulso ainda depende da materialização do regime especial para data centers criado por Medida Provisória no ano passado, mas até aqui sem regulamentação efetiva.

Além do Redata, no momento à espera da conversão da MP 1318/25 – cujo prazo é 25 de fevereiro- o Ministério das Comunicações anunciou a estruturação de uma a Política Nacional de Data Centers, vinculada à Nova Indústria Brasil (NIB), que terá diretrizes para qualificação de mão de obra, eficiência energética e integração industrial.

“O Brasil é um país muito atrativo para a infraestrutura de data centers. Além de contar com abundância de água e energia, temos uma posição estratégica no tráfego internacional de dados”, afirmou o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho.


No plano internacional, a Moody’s afirma que a expansão de IA e nuvem exige um volume massivo de capital. Seis grandes hyperscalers norte-americanos — Microsoft, Amazon, Alphabet, Oracle, Meta e CoreWeave — investiram quase US$ 400 bilhões em 2025, com previsão de mais US$ 200 bilhões até 2027.

Além de reforçar o apetite por infraestrutura, a corrida tem alterado o mercado financeiro: fundos institucionais têm entrado com capital ainda na fase de construção dos empreendimentos, ampliando mecanismos de financiamento.

Mas o ritmo acelerado traz desafios. A Moody’s alerta para o aumento dos custos de construção, GPUs e equipamentos, bem como para tensões sobre redes elétricas e disponibilidade de energia. Também há oposição local em regiões com escassez hídrica ou limitações de rede, além de riscos de concentração em grandes locatários e pressão operacional decorrente da entrada de novos operadores com pouca experiência.

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