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Governo quer IA nas compras públicas por soberania digital

Na Índia, ministra da Gestão Esther Dweck disse que inteligência artificial será usada para orientar licitações por resultados e fortalecer o Gov.br.

O uso da inteligência artificial para transformar as compras públicas foi o eixo da participação da ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, em painel durante o AI Summit, na Índia. No debate, ela afirmou que o governo brasileiro vem reformulando sua estratégia de contratação para alinhar inovação tecnológica, soberania digital e foco em resultados.

Segundo a ministra, o modelo tradicional de licitações, baseado na lógica do menor preço e menor risco, tende a gerar especificações excessivas e a tratar a inovação como exceção. Para ela, esse formato é inadequado quando se trata de inteligência artificial. Dweck afirmou que o Brasil está migrando de uma abordagem centrada em processos para uma estratégia orientada por políticas públicas e resultados, fortalecendo instrumentos de contratação voltados à inovação.

De acordo com a ministra, o governo tem utilizado licitações para contratar produtos com requisitos que garantam interoperabilidade, capacidade de evolução tecnológica e menor dependência de fornecedores, com vistas à continuidade de serviços no longo prazo. Ela também destacou a adoção de uma plataforma comum para centralizar e padronizar aquisições públicas, ampliando escala e eficiência.

Ferramentas digitais e modelos analíticos já são empregados para prevenir e identificar fraudes em processos licitatórios, e a expectativa é incorporar soluções de IA no apoio à tomada de decisão nas contratações.

O painel reuniu lideranças globais como Irina Ghose, diretora-geral da Anthropic na Índia; Nandan Nilekani, cofundador da Infosys; e Trevor Mundel, presidente de Saúde Global da Gates Foundation. A conversa foi moderada por Shankar Maruwada, cofundador e CEO da EkStep Foundation.


Ao tratar da infraestrutura digital, Dweck ressaltou a consolidação do Gov.br como base para a expansão da inteligência artificial no setor público. A plataforma reúne mais de 12 mil serviços federais e estaduais e integra identidade digital e interoperabilidade de bases de dados. A partir dessa estrutura, o governo tem desenvolvido serviços personalizados e implementado chatbots informativos. Em dezembro, foi lançado um assistente virtual voltado a estudantes que concluem o ensino médio, com orientações sobre trajetórias acadêmicas e profissionais.

Segundo a ministra, o próximo passo é permitir a realização de transações por meio de chatbots e, posteriormente, estruturar agentes de IA para serviços públicos. Ela afirmou que a consolidação de infraestruturas públicas digitais é condição para ampliar a adoção segura e escalável da tecnologia.

No campo da governança, Dweck informou que o governo contabiliza 182 soluções de IA em implementação em 58 órgãos federais até 2025. Entre os desafios estão a limitação de capacidade técnica e restrições orçamentárias. Para enfrentar esses pontos, o Executivo estruturou modelo de governança integrado para gerir o ciclo de vida das soluções, estimular colaboração entre órgãos e otimizar recursos.

A ministra citou o programa Inspire como exemplo de abordagem sistêmica, ao articular governo, instituições de pesquisa e empresas públicas e privadas para reorganizar e classificar bases de dados destinadas ao treinamento de modelos de IA. Ela ressaltou que a governança de dados é central para proteger direitos dos cidadãos e qualificar a tomada de decisão estatal.

O governo também tem investido em capacitação de servidores, oferta de ferramentas compartilhadas, incluindo soluções de IA generativa, e em um framework de autoavaliação de conformidade ética, com foco em gestão de riscos. Dweck afirmou que a administração pública deve manter processos críticos com supervisão humana e implementar estratégias de qualificação e requalificação profissional diante dos impactos da IA no trabalho.

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