
Desenvolver soluções tecnológicas inovadoras para desafios reais dos data centers é o objetivo principal do projeto ECOS, que está sendo lançado a partir de convênio assinado entre o CPQD e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), que irá investir recursos da ordem de R$ 3 milhões na iniciativa. Metade desse valor será destinada às startups selecionadas para participar dessa jornada de inovação, que terá duração de 24 meses.
“O foco do projeto é a soberania nacional na área de data centers sustentáveis e inteligentes, por meio do domínio tecnológico e do fortalecimento do ecossistema de inovação brasileiro”, afirma Sebastião Sahão Junior, presidente do CPQD. Para isso, serão selecionadas até seis startups de base tecnológica que, depois de passar por capacitação e mentoria, terão a oportunidade de instalar suas soluções em ambientes reais de data centers parceiros no projeto, em pilotos destinados à experimentação, validação e aprimoramento da solução.
“O projeto ECOS está alinhado à estratégia da Nova Indústria Brasil de fortalecer infraestruturas tecnológicas estratégicas para o país. Ao investir em inovação, eficiência energética e sustentabilidade em data centers, estamos criando condições para que o Brasil amplie sua competitividade na economia digital”, ressalta Ricardo Cappelli, presidente da ABDI.
O CPQD será responsável pelo suporte técnico do projeto – o que inclui a oferta de mentoria para as startups e o apoio tecnológico, especialmente durante a fase de pilotos. Os desafios tratados serão definidos pelas empresas de data centers que aderirem à iniciativa. Já as soluções propostas pelas startups devem envolver a aplicação de tecnologias como Inteligência Artificial (IA), Sistemas de Armazenamento de Energia (BESS), monitoramento e automação, visando garantir maior eficiência energética, redução do consumo de água, integração de energias renováveis, descarbonização e a sustentabilidade dos data centers.
“O consumo intensivo de energia, por exemplo, impulsionado principalmente pelos sistemas de resfriamento, é um desafio importante desse setor, uma vez que representa boa parte do custo operacional de um data center. Com mecanismos e sistemas inteligentes, é possível otimizar o uso de resfriamento, incluindo modelos avançados como aprendizado por reforço, controle adaptativo e estratégias de gestão térmica orientadas por IA”, explica o presidente do CPQD. Outros exemplos de desafios poderão ser tratados por soluções que facilitem a adoção de energias renováveis, ou que permitam balancear custo, confiabilidade e sustentabilidade, com a integração de baterias de armazenamento, resposta à demanda e estratégias de arbitragem energética.
Fases de execução
A jornada de inovação de 24 meses, definida no projeto, está dividida em quatro fases de execução, que compreendem desde a validação dos desafios propostos até o amadurecimento das soluções para o mercado.
Na primeira fase, estão previstas análises de tendências tecnológicas e de mercado, com a definição de critérios que irão orientar a escolha das soluções propostas por startups interessadas em participar do projeto – um edital específico será lançado com esse objetivo. Serão selecionadas até seis startups que apresentarem soluções mais adequadas aos desafios reais apresentados por empresas de data centers, que atuarão como parceiras. Cada startup receberá um prêmio de R$ 250 mil, para ser utilizado como apoio financeiro no decorrer da jornada.
A fase 2 tem como objetivo o amadurecimento das soluções selecionadas, por meio de mentorias tecnológicas e de negócios para as startups. O CPQD fará a análise técnica das soluções, visando identificar melhorias ou adequações para atender aos desafios do mercado. Já as mentorias e capacitação em diferentes temas de negócios contarão com o envolvimento de especialistas do hub de inovação TECHOÁ – iniciativa de inovação aberta do CPQD em parceria com a consultoria Inventta – e de parceiros estratégicos.
A terceira fase será dedicada à execução dos pilotos em ambientes reais dos data centers parceiros. O CPQD será responsável pelo suporte técnico dessas experiências, o que inclui a implantação e integração das soluções no ambiente, bem como a coleta de dados (indicadores de desempenho, confiabilidade e sustentabilidade) para a elaboração de relatórios técnicos e operacionais. Ainda nessa etapa, está previsto o refinamento das soluções, por meio de ajustes técnicos e do modelo de negócios, de modo a preparar as startups para a difusão no mercado.
A última fase da jornada é a da vitrine – ou showcase -, na qual as soluções validadas em ambiente real serão apresentadas em um demo day voltado ao ecossistema do setor, incluindo investidores e potenciais clientes. Será o momento da conexão entre as startups e o mercado, da identificação de oportunidades de negócios e da atração de investidores.





