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Serpro: Crédito do Trabalhador cruza dados do eSocial, Dataprev e Caixa para emprestar R$ 120 bilhões

Consignado dos trabalhadores com carteira tem 21,6 milhões de contratos ativos e 9,5 milhões de beneficiários.

O programa Crédito do Trabalhador já movimentou R$ 120 bilhões em menos de um ano, consolidando-se como uma das maiores iniciativas de crédito digital do país. Com 21,6 milhões de contratos ativos e 9,5 milhões de beneficiários, a política pública, apresentada durante o Agile Trends Gov, em Brasília, tem potencial para alcançar até 47 milhões de trabalhadores, apoiada em uma complexa arquitetura de integração de dados do Estado.

No centro do projeto está a atuação do Serpro, responsável por estruturar a interoperabilidade entre sistemas públicos. Segundo a diretora de Negócios Econômico-Fazendários da estatal, Ariadne Fonseca, o principal desafio não foi tecnológico, mas institucional. “Estamos falando de conectar plataformas que evoluíram de forma independente, com diferentes arquiteturas e regras de negócio, garantindo governança, segurança e desempenho em larga escala”, afirmou.

A engrenagem digital por trás do programa envolve a orquestração de múltiplos sistemas, como o eSocial, o FGTS Digital e a DCTFWeb, além de bases operadas pela Dataprev e pela Caixa Econômica Federal. A proposta é transformar essa complexidade em uma experiência simples para o usuário final, que acessa o crédito por meio da Carteira de Trabalho Digital ou canais bancários.

O programa atende trabalhadores vinculados a cerca de 4 milhões de empresas, cada uma com estruturas e sistemas próprios. Para o diretor de TI do Ministério do Trabalho e Emprego, Heber Maia, isso exigiu uma base tecnológica robusta para garantir que os descontos em folha e os repasses financeiros ocorram com precisão.

A Dataprev teve papel central na estruturação dos dados que viabilizam o crédito. Segundo o presidente da empresa, Rodrigo Assumpção, o uso do eSocial como base permitiu melhorar a análise de risco pelas instituições financeiras. “Os bancos passaram a ter mais informações sobre vínculos e renda, o que possibilita ofertas mais adequadas e, potencialmente, taxas menores”, afirmou.


Já a Caixa Econômica Federal atua como hub financeiro da operação, gerenciando os fluxos de recursos e repassando valores a mais de uma centena de instituições. A integração com sistemas já existentes, como os do FGTS, foi essencial para garantir continuidade e confiabilidade em larga escala.

Disponível para trabalhadores com carteira assinada, incluindo domésticos, rurais e vinculados a microempreendedores individuais, o Crédito do Trabalhador permite a contratação com desconto em folha de até 35% do salário, ampliando o acesso ao crédito formal em escala nacional.

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