GovernoMercado

Esther Dweck: Governo Digital não existe sem Serpro e Dataprev e dados pessoais dos brasileiros ficam em risco grave

Ministra da Inovação e Gestão também se posicionou contra também a substituição de servidores pela Inteligência Artificial. “Não pode ter IA tomando decisões sem que tenha humanos revisando aqueles processos decisórios”, advertiu. A substituição de servidores pela IA é defendida pela coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro à presidência da República, Daniella Marques.

A tecnologia entrou na corrida da eleição presidencial e trouxe mais divergências entre as duas campanhas. A ministra de Inovação e Gestão, Esther Dweck, em entrevista à Folha de São Paulo, rebateu a afirmação da coordenação econômica da campanha de Flávio Bolsonaro à presidência e sustentou que as duas estatais ligadas ao seu ministério, Serpro e Dataprev, são altamente lucrativas e preveem investir R$ 140 bilhões em 2026 para trazer para o Brasil dados estratégicos do governo e dos brasileiros, que estavam em nuvens públicas pelo mundo.

“Essas empresas estavam no Programa Nacional de Desestatização do governo Bolsonaro e o candidato Flávio Bolsonaro já disse que quer privatizar estatais. Isso nos preocupa muito. Serpro e Dataprev investiram muito para armazenarem no Brasil, os dados públicos do país. Elas guardam a vida dos brasileiros. E isso vai ficar na mão de uma empresa privada, que terá acesso a todos os dados da Receita e dos dados sociais dos brasileiros?”, indaga Esther Dweck.

De acordo com a ministra, mesmo com o prejuízo contabilizado pelos Correios, as estatais renderam um lucro de meio trilhão de reais nos três primeiros anos do governo Lula, o que reporta um incremento de 20% em relação aos três primeiros anos do governo Bolsonaro. No ano passado, os investimentos das estatais Serpro e Dataprev ficaram em R$ 116 bilhões de reais e este ano ficou em R$ 140 bilhões. “Me dá medo ver a possibilidade de privatização dessas duas empresas”, diz.

Outro ponto forte de divergência é a inteligência artificial. O uso da tecnologia já é realidade no governo. São mais de 180 projetos em uso na gestão pública federal. Mas Esther Dweck rejeitou a tese de substituição de pessoas pela inteligência artificial. “A IA, sem dúvida nenhuma, tem todo o potencial de aumentar enormemente a produtividade do setor público, mas isso não significa que você não vai precisar de pessoas trabalhando”, afirmou.

A ministra da Inovação e Gestão admite que a tecnologia tem condições de eliminar tarefas repetitivas ou alterar a necessidade de pessoal. Mas isso não significa uma troca de servidores pela IA. “Não pode ter IA tomando decisões sem que tenha humanos revisando aqueles processos decisórios”, disse, lembrando que sistemas de inteligência artificial podem cometer erros e reproduzir vieses. Dweck lembrou que uma IA pode auxiliar o governo a analisar um benefício, organizar uma fila ou identificar uma irregularidade. Mas, se negar indevidamente um direito, alguém terá de responder pela decisão. “Quem vai ser responsável se não tem uma pessoa responsável?  A IA não tem esse poder”, completou.


A coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, defende uma reforma administrativa apoiada em inteligência artificial. E reclama do tamanho do funcionalismo. “Na era da inteligência artificial, então, quantas carreiras poderão ser substituídas, operacionais e administrativas?”, questionou. Daniella Marques insiste em uma “reforma administrativa digital” associada ao enxugamento da estrutura pública e à redução dos custos do Estado, especialmente, com a demissão de servidores.

Veja a entrevista da ministra Esther Dweck na Folha pelo Instagram: https://www.instagram.com/reel/DexjfcNlFSm/?psln=MWxrdjJhdHdtNW8xeQ==

Botão Voltar ao topo