Para ter R$ 1 trilhão adicionado ao PIB até 2030 pela IA, ABES defende estratégia nacional para infraestrutura
País precisa de ações de longo prazo, governança e mais investimentos em infraestrutura, afirma o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Software, Andriei Gutierrez.

A inteligência artificial tem potencial de acrescentar até R$ 1 trilhão ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro até 2030, mas será preciso fazer investimentos em infraestrutura, capacitação profissional e mudanças nos modelos de negócio. O tema esteve no centro dos debates do ABES Summit 2026, realizado nesta terça-feira, 27/10, pela Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES), em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em São Paulo.
Um dos principais anúncios da abertura foi feito por Felicio Ramuth, que informou que estará à frente dos projetos de tecnologia e inovação do governo de São Paulo nos próximos quatro anos, buscando acelerar a transformação digital das secretarias estaduais. “Eu vou estar à frente justamente dos projetos de tecnologia e inovação do nosso Governo de Estado, em todas as áreas”, afirmou.
O vice-governador também destacou que São Paulo reúne aproximadamente R$ 100 bilhões em investimentos em data centers, defendeu avanços na regulamentação do REDATA e alertou para os impactos da reforma tributária sobre o setor de software e serviços. Em relação à inteligência artificial, ressaltou a necessidade de uma regulamentação que não comprometa a inovação e a competitividade.
Para Andriei Gutierrez, presidente da ABES, a transformação digital tem de ser prioridade dos próximos governos, com políticas de longo prazo, governança e investimentos em infraestrutura. O executivo também defendeu que a inteligência artificial deixe de ser tratada como uma iniciativa restrita às áreas de tecnologia. “É uma tecnologia revolucionária que precisa estar lá, na estratégia, na revisão do negócio, na revisão, muitas vezes, de todo o modelo, de toda a concepção organizacional”, destacou.
IA exige estratégia para transformar investimentos em valor
O potencial de acrescentar R$ 1 trilhão ao PIB brasileiro até 2030 foi apresentado por Tania Cosentino, ex-presidente da Schneider Electric e da Microsoft no Brasil, atualmente conselheira do International Chamber of Commerce (ICC) e conselheira independente da WEG. Segundo pesquisa do Boston Consulting Group (BCG) citada pela executiva, o percentual de organizações que capturam valor com inteligência artificial em escala passou de 5% para 50% em aproximadamente um ano. Apesar do avanço, Tania alertou que muitas empresas ainda não conseguem converter projetos experimentais em resultados concretos.
“Entre fazer piloto e desbloquear valor, existe um abismo”, afirmou. Para a executiva, a competitividade depende da capacidade de incorporar a IA às decisões estratégicas, desenvolver novos produtos e serviços e identificar oportunidades de crescimento. A expansão dos agentes autônomos também exige atenção à governança. Conforme os indicadores apresentados, 42% das empresas estão avançando na adoção dessa tecnologia até 2030, mas apenas 5% dispõem de controles adequados para sua operação segura. “Estou vendo muita gente querendo gastar em IA e não querendo gastar em cyber. Isso é um grande erro que pode trazer consequências desastrosas para a sua organização”, alertou. “O risco quem assume é você, não é o algoritmo.”
Tania também destacou que o Brasil concentra aproximadamente 1% dos data centers mundiais e que a expansão da infraestrutura nacional poderia movimentar R$ 90 bilhões em investimentos adicionais até 2030, com potencial de gerar mais de 55 mil empregos diretos e indiretos.
Para aproveitar essas oportunidades, defendeu uma estratégia nacional que integre infraestrutura, energia, desenvolvimento industrial, educação e pesquisa, além da preparação de lideranças e profissionais. “O futuro do trabalho não é a IA contra o humano, é o humano mais a IA, trazendo um futuro melhor para todos”, concluiu.



