
O município de Groaíras, na região norte do Ceará, passou horas sem internet desde o dia 27 de outubro após o rompimento de cabos de fibra ótica. Desde a semana passada, circulam nas redes sociais ameaças a provedores de internet na cidade por parte de uma facção criminosa. A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) disse que a Polícia Civil investiga o caso.
A Polícia Civil investiga “as circunstâncias de uma ocorrência de rompimento de fibra ótica, no município de Groaíras, que afetou também a cidade de Cariré”. A secretaria afirmou ainda que o policiamento foi reforçado na região. Até o momento, nenhuma prisão foi divulgada. A pasta não citou diretamente a participação de facções no caso, mas a investigação está a cargo da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas – Norte (Draco Norte).
A Federação Nacional de Instalação e Manutenção de Infraestrutura de Redes de Telecomunicações e de Informática (FENINFRA) se manifestou sobre o ataque aos provedores Internet. A entidade repudiou os ataques à infraestrutura de telecomunicações. A Federação lembra que Internet é um serviço essencial e cobra ações imediatas das autoridades. O Convergência Digital publica a íntegra do comunicado:
Posicionamento FENINFRA
Em relação aos ataques a provedores de Internet de Groaíras (CE), Posicionamento FENINFRA
Em relação aos ataques a provedores de Internet de Groaíras (CE), a Federação Nacional de Instalação e Manutenção de Infraestrutura de Redes de Telecomunicações e de Informática (FENINFRA) manifesta veemente repúdio aos ataques à infraestrutura de telecomunicações do município cearense. Na terça-feira (27 de outubro), criminosos cortaram cabos de fibra óptica em vários pontos da cidade e ameaçaram ao menos quatro provedores legalmente estabelecidos, com o objetivo de impor serviço clandestino.
Não se trata apenas de um dano patrimonial. Durante horas, moradores, comércio e a própria Prefeitura ficaram sem conexão, com reflexos em Cariré. Internet hoje é serviço essencial: dela dependem atendimento de saúde, educação, segurança pública, pagamentos e o funcionamento da administração. Atacar a rede é atacar a população.
Os provedores regionais são, em grande parte do interior do país, a única porta de acesso à conectividade. São empresas que investem, geram empregos, recolhem tributos e cumprem a regulação. Não podem ser deixadas sozinhas diante da intimidação, da extorsão e da sabotagem. Também não é um episódio isolado: há relatos, desde 2025, de ataques e cobranças ilegais a empresas do setor no Ceará.
Por isso, a FENINFRA conclama o Governo do Estado do Ceará, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social, a Polícia Civil, o Ministério Público, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Ministério das Comunicações e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) a atuarem de forma coordenada e imediata para identificar e responsabilizar os autores, garantir a segurança das empresas e de seus técnicos em campo e restabelecer a normalidade do serviço.
A FENINFRA, por sua vez, adotará as seguintes iniciativas:
1. Encaminhará ofícios ao Governo do Ceará, à SSPDS e ao Ministério Público estadual solicitando reforço de policiamento e prioridade nas investigações;
2.Levará o caso à Anatel e ao Ministério das Comunicações, propondo a articulação de um protocolo nacional de proteção à infraestrutura de telecomunicações;
3.Articulará com as entidades representativas do setor uma atuação conjunta em defesa dos provedores regionais.
A conectividade dos brasileiros não pode ficar refém de ninguém. A FENINFRA estará ao lado dos provedores e das comunidades atingidas até que a situação seja normalizada.
Vivien Mello Suruagy
Presidente da FENINFRA


