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Trump renova guerra fria contra a China ao impor tarifa de 25% em chips de Inteligência Artificial

“Os EUA atualmente fabricam apenas cerca de 10% dos chips de que necessitam, o que os torna fortemente dependentes de cadeias de suprimento estrangeiras”, diz a decisão do governo dos EUA.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs uma tarifa de 25% sobre determinados chips de inteligência artificial (IA). A medida atinge processadores de IA como o H200, da Nvidia, e um semicondutor semelhante da AMD, chamado MI325X. A decisão foi baseada em uma nova ordem de segurança nacional divulgada pela Casa Branca, após uma investigação de nove meses conduzida nos termos da Seção 232 da Lei de Expansão do Comércio, de 1962. O anúncio foi feito nesta quarta-feira, 14/1.

Segundo o governo Trump, a medida tem como alvo semicondutores de alto desempenho que atendem a critérios técnicos específicos, além de dispositivos que os incorporam, para fins de aplicação de tarifas de importação. A iniciativa faz parte de um esforço mais amplo do governo americano para incentivar fabricantes de chips a ampliar a produção de semicondutores nos EUA e reduzir a dependência de fornecedores localizados em regiões como Taiwan.

“Os EUA atualmente fabricam apenas cerca de 10% dos chips de que necessitam, o que os torna fortemente dependentes de cadeias de suprimento estrangeiras”, diz a decisão, acrescentando que essa dependência representa um “risco econômico e de segurança nacional significativo”.

A Casa Branca informou, em um documento, que as tarifas terão escopo restrito e não se aplicarão a chips e dispositivos derivados importados para data centers nos EUA — grandes consumidores de chips de IA —, nem a produtos destinados a startups, aplicações de consumo fora desses centros, usos industriais civis fora de data centers e ao setor público americano.

Em dezembro, Trump afirmou que iria impor tarifas sobre importações chinesas de semicondutores, em resposta ao que chamou de busca “irracional” de Pequim pela dominância na indústria de chips, mas acabou adiando a medida para junho de 2027. A decisão ocorreu após uma investigação de um ano, conduzida com base na Seção 301, sobre práticas comerciais desleais envolvendo exportações chinesas de chips chamados “legados”, ou de tecnologia mais antiga, para os EUA, aberta pelo governo do ex-presidente Joe Biden.


Nesta semana, o governo Trump determinou que chips com destino à China façam uma escala nos EUA, após saírem de Taiwan, onde são fabricados, para passar por testes em um laboratório terceirizado. Ao entrar nos EUA, esses chips ficam sujeitos à tarifa de 25% anunciada nesta quarta.

“Nós cumprimos todas as leis e políticas de controle de exportações dos Estados Unidos”, afirmou a AMD em comunicado. Procurada pela agência Reuters, a Nvidia não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

  • Com informações da agência de notícias Reuters

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