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Após recusa da Anthropic, EUA escalam OpenAI, do ChatGPT, para vigilância em massa e armas autônomas

A Anthropic, do Claude.ai, recusou o uso de sua ferramenta e caiu em desgraça no governo dos EUA. A OpenAI preferiu aceitar os termos do Pentágono

Em meio a um impasse entre o Departmento de Defensa dos Estados Unidos e a empresa de inteligência artificial Anthropic, o CEO da OpenAI, Sam Altman, anunciou ter fechado um novo acordo com o Pentágono para o uso de seus sistemas de IA. A negociação se deu após o governo dos EUA classificar a Anthropic como risco à cadeia de suprimentos, depois de a companhia insistir na proibição de vigilância doméstica em massa e veto a armas autônomas letais sem supervisão humana.

Em publicação nas redes sociais, Altman se defendeu alegando que apoia proibições à vigilância doméstica em massa uso de IA em sistemas de armas autônomas. Mas a declaração foi rapidamente contestada por especialistas e integrantes da indústria de IA. Em especial, porque o Pentágono criou uma crise com a Anthropic justamente porque a empresa não aceitou ceder nesses pontos.

Na prática, se uma atividade for considerada tecnicamente legal, as Forças Armadas dos EUA poderão utilizar a tecnologia da OpenAI para executá-la. E desde os atentados terroristas de 11 de setembro, a definição do que é “legal” foi bastante ampliada para sustentar programas abrangentes de vigilância.

Quanto às armas autônomas letais, o contrato divulgado pela OpenAI estabelece que sua tecnologia “não será usada para direcionar de forma independente armas autônomas em qualquer caso em que lei, regulamento ou política do Departamento exijam controle humano”. A redação está alinhada a uma diretiva do Departamento de Defesa de 2023, mas não cria, segundo críticos, novas restrições contratuais. A Anthropic defendia a proibição de armas letais totalmente autônomas sem supervisão adequada até que a tecnologia fosse considerada segura.

A Casa Branca reforçou que não aceitará interferência de empresas privadas na condução militar. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, declarou nas redes sociais que “o comandante-em-chefe e o povo americano determinarão o destino das Forças Armadas, não executivos de tecnologia não eleitos”. Já o presidente dos EUA Donald Trump afirmou que combatentes americanos “jamais serão reféns dos caprichos ideológicos da Big Tech”.


Jeremy Lewin, subsecretário na administração Trump, disse que o acordo com a OpenAI — e outro firmado com a xAI — representou um “compromisso que foi oferecido à Anthropic e rejeitado”, indicando que os termos não atendiam às exigências da rival.

A recusa teve consequências imediatas. Após o fracasso das negociações, o Pentágono classificou a Anthropic como risco à cadeia de suprimentos, medida rara para uma empresa americana, e Trump determinou que agências federais deixassem de utilizar seus sistemas. A empresa informou que poderá contestar a decisão na Justiça.

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