O Banco do Brasil aposta na expansão internacional do Pix como próximo passo na evolução do sistema de pagamentos brasileiro. A estratégia já começa a sair do papel com operações na Argentina e planos de avançar para mercados como Estados Unidos e Europa, segundo o gerente executivo de TI da instituição, Cleberson Calefi, durante o Red Hat Gov Forum Brasil, realizado em Brasília em 24 de março.
De acordo com o executivo, a internacionalização do Pix ainda não está formalmente na agenda do Banco Central do Brasil, mas o banco já iniciou iniciativas próprias para viabilizar pagamentos transfronteiriços. Em parceria com o Banco Patagonia, clientes brasileiros já conseguem realizar pagamentos via QR Code em estabelecimentos argentinos, com débito imediato em reais e liquidação em pesos para o lojista. “Isso é o começo. A tendência é expandir, porque o que dá certo precisa ser ampliado e o cliente já pede por essa experiência”, afirmou.
Calefi destacou que a popularização do Pix impõe desafios tecnológicos crescentes para sustentar a experiência de instantaneidade. “Vivemos em uma sociedade impaciente, que quer tudo em segundos. Mas por trás disso há uma solução tecnológica monstruosa”, disse. Segundo ele, a operação depende de uma infraestrutura complexa, baseada em clusters de banco de dados, servidores distribuídos geograficamente e equipes que atuam 24 horas por dia, sete dias por semana.
Essa arquitetura é fundamental para garantir não apenas velocidade, mas também segurança nas transações. O executivo explicou que, a cada pagamento, o sistema precisa processar informações em tempo real para avaliar o destinatário, padrões de comportamento do usuário e consultas a múltiplas bases, gerando um score instantâneo que viabiliza a transação com segurança. “A confiança do cliente traz o ônus de fazer tudo isso em tempo real, conciliando segurança, que é um grande ativo do banco, com a velocidade que fideliza o usuário”, afirmou.
Outro ponto destacado foi o modelo de negócios do Pix, que é gratuito para pessoas físicas, exigindo das instituições financeiras uma equação econômica baseada na cobrança de serviços para empresas. Nesse contexto, eficiência operacional e diferenciação tecnológica se tornam fatores decisivos para atrair clientes corporativos.
Calefi também ressaltou o papel do open source na estratégia tecnológica do banco. Segundo ele, o uso de tecnologias abertas permite acelerar o desenvolvimento, testar soluções em ambientes controlados e escalar rapidamente aquelas que demonstram viabilidade. “Hoje o mercado é testar, validar e implementar. Nem toda solução cresce, muitas são descontinuadas rapidamente. Mas esse processo de experimentação é essencial para encontrar o que realmente escala”, disse.
A adoção de open source também amplia o acesso a comunidades de desenvolvedores e favorece a inovação contínua, além de reduzir dependências tecnológicas. Para o executivo, esse modelo contribui para aumentar a confiabilidade das soluções oferecidas ao mercado e sustentar a evolução de serviços como o Pix.
Ao projetar o futuro, Calefi afirmou que o sistema brasileiro tem potencial para ganhar escala global. “Quem experimenta o Pix pela primeira vez fica encantado. É uma solução que deu muito certo e que o Banco do Brasil tem orgulho de apresentar em qualquer fórum internacional”, concluiu.
Assista a entrevista com Cleberson Calefi durante o Red Hat Gov Forum Brasil.





