Inovação

Por inteligência artificial, big techs vão investir R$ 3,7 trilhões em 2026, mas despertam temor

Recorde de gastos gera preocupação dos investidores sobre o risco de excesso de capacidade e retorno financeiro mais fraco.

Os grandes provedores globais de computação em nuvem devem investir cerca de US$ 700 bilhões em infraestrutura em 2026, em um movimento impulsionado pela corrida por capacidade para inteligência artificial. O volume recorde de gastos, no entanto, começa a gerar preocupação entre investidores sobre o risco de excesso de capacidade e retorno financeiro mais fraco, segundo relatório divulgado pela Moody’s Ratings.

De acordo com a agência de classificação de risco, o montante previsto para 2026 representa um crescimento expressivo: é seis vezes maior que o capex registrado pelos hyperscalers em 2022. O avanço dos investimentos acompanha a explosão da demanda por infraestrutura voltada a aplicações de IA, que vem acelerando a expansão das receitas dessas empresas.

Apesar da escala considerada “sem precedentes”, a Moody’s avalia que a demanda por capacidade de IA ainda supera amplamente a oferta disponível. Mesmo assim, o aumento acelerado dos gastos começa a pressionar a estrutura financeira dessas companhias. Segundo o relatório, o crescimento do capex tem reduzido o tradicional fluxo de caixa livre robusto das gigantes de tecnologia e levado a um aumento do endividamento.

A previsão é que os investimentos continuem avançando. Para 2027, o capex dos hyperscalers pode atingir US$ 870 bilhões, embora limitações na oferta de energia elétrica tendam a restringir a expansão da capacidade de IA, mantendo a demanda acima da oferta ao menos até aquele ano.

O estudo também aponta um descompasso crescente entre a visão das empresas e a dos investidores sobre o ritmo de investimentos. Enquanto os provedores de nuvem consideram que investir menos em IA representa uma ameaça existencial ao negócio, parte do mercado teme que os aportes agressivos resultem em excesso de infraestrutura e retornos mais baixos. Esse receio já se reflete em sinais financeiros, como o aumento dos spreads de títulos e a queda das medianas de preços das ações do setor.


A Moody’s observa ainda que o modelo de negócios da infraestrutura de IA exige investimentos elevados antes que qualquer receita seja gerada. Em média, um data center leva entre 12 e 24 meses entre o início do investimento e o início da geração de receitas.

A agência alerta que a combinação de maior intensidade de capital e níveis mais altos de dívida pode levar a uma reavaliação da qualidade de crédito dessas empresas caso o crescimento dos lucros não acompanhe o ritmo dos investimentos.

Apesar das preocupações, os dados mais recentes indicam forte expansão das receitas. Segundo o relatório, a taxa mediana de crescimento de faturamento de empresas como Meta, Amazon Web Services, Alphabet, Microsoft Azure e Oracle saltou de 26% no fim de 2023 para 39% no fim de 2025.

A expectativa da Moody’s é que esse crescimento continue acelerando à medida que novas capacidades de computação entrem em operação e contratos já firmados com clientes corporativos sejam convertidos em receita.

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