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Meta corta centenas de empregados no que indica ser maior rodada de demissões da big tech

Cortes atingem Facebook, operações globais, recrutamento, vendas e a divisão de realidade virtual. Segundo a Reuters, demissões podem chegar a 20% dos empregados.

A Meta deu início nesta quarta, 25/3, a mais um movimento de reestruturação que resultará na demissão de centenas de funcionários em diferentes áreas da companhia, incluindo Facebook, operações globais, recrutamento, vendas e a divisão de realidade virtual Reality Labs. A informação foi confirmada pela CNBC, após a empresa ter orientado na noite anterior funcionários das divisões de wearables e anúncios a trabalharem remotamente, com a promessa de que mais informações seriam compartilhadas pela liderança.

Em nota, a porta-voz da Meta afirmou que “equipes em toda a empresa regularmente passam por reestruturações ou implementam mudanças para garantir que estão na melhor posição para alcançar seus objetivos”. A empresa acrescentou que, sempre que possível, busca encontrar outras oportunidades para os funcionários cujos cargos foram impactados. Alguns dos afetados, segundo uma fonte familiarizada com os planos, estão sendo convidados a assumir novas funções dentro da companhia, em alguns casos com necessidade de realocação.

Os cortes ocorrem em um momento de virada estratégica para a gigante das redes sociais. Nos últimos meses, a Meta tem redirecionado seus esforços e investido bilhões de dólares em inteligência artificial, área na qual busca se aproximar de concorrentes como OpenAI, Anthropic e Google. A divisão de wearables, que engloba óculos com inteligência artificial e o negócio de realidade aumentada, foi descrita no mais recente relatório de resultados como uma das “áreas de investimento-chave” para 2026, o que torna o timing das demissões especialmente significativo.

Em janeiro, a empresa já havia realizado cortes que atingiram mais de mil funcionários da Reality Labs, impactando cerca de 10% da divisão de hardware, responsável pelos headsets Quest VR e pela rede social virtual Horizon Worlds. Na ocasião, a companhia também fechou uma série de estúdios dedicados ao desenvolvimento de títulos para realidade virtual.

O anúncio das novas demissões ocorre dias depois de a empresa ter revelado, em comunicados corporativos, um novo programa de incentivo baseado em opções de ações para seus principais executivos, entre eles a diretora financeira Susan Li, o diretor de tecnologia Andrew Bosworth, o diretor de produtos Christopher Cox e o diretor de operações Javier Olivan. A Meta descreveu a medida como uma ferramenta de retenção para sua liderança sênior enquanto a empresa segue com pesados investimentos em inteligência artificial. “É uma aposta grande”, disse um porta-voz. “Esses pacotes só serão realizados se a Meta alcançar um sucesso massivo no futuro, beneficiando todos os nossos acionistas.”


Paralelamente, a companhia segue ampliando sua equipe em áreas estratégicas. A mais recente movimentação envolveu um acordo de licenciamento com a startup Dreamer, cujos funcionários se juntarão ao Meta Superintelligence Labs, divisão voltada à tecnologia de inteligência artificial. Como parte da operação, o cofundador da Dreamer, Hugo Barra, retornará à Meta, onde já atuou entre 2017 e 2021 à frente dos esforços de realidade virtual. A empresa não divulgou os termos do negócio.

No início de março, as ações da Meta subiram quase 3% após a Reuters noticiar que a empresa poderia reduzir mais de 20% de sua força de trabalho. Na ocasião, um porta-voz classificou a informação como “um relato especulativo sobre abordagens teóricas”. O movimento agora confirmado é de menor escala em números absolutos, mas ocorre em meio a um processo contínuo de ajustes que a empresa tem promovido para adequar sua estrutura às novas prioridades.

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