InovaçãoMercado

IBM: IA sem retorno financeiro está fadada a fracassar. Governança é pilar do sucesso

Para Marcelo Braga, presidente da IBM, IA é um jogo de vários jogadores e descarta um protagonismo isolado.

Passada a fase de experimentação da inteligência artificial generativa, as companhias entenderam que devem tratar projetos de IA sob as mesmas premissas de outras tecnologias. Isso significa que, se não houver retorno sobre o investimento (ROI), dificilmente, a IA vai escalar. Sem retorno e sem agregar ao negócio, a inteligência artificial estará fadada a não vingar. Uma outra face desse cenário de inteligência artificial é a expansão do uso de agentes, o que requer maturidade por parte das companhias. Assim, os projetos de inteligência artificial generativa com possibilidades de sucesso combinam ROI, governança e segurança.

Essa foi a tônica do bate-papo com Marcelo Braga, líder de tecnologia e presidente da IBM Brasil, em almoço com jornalistas nesta quinta-feira (22/1), em São Paulo. A multinacional aproveitou o começo do ano para reunir jornalistas e dar o tom do que espera para 2026. Braga afirmou que este ano será pautado pela governança dos agentes de IA e pela segurança, conforme ressaltou em entrevista em vídeo à CDTV. O balanço é que, antes, se buscava IA para aumentar produtividade e redução de custo. Agora, a IA vem sendo adotada para redesenhar processos de negócios e ela se soma à tecnologia.

“Quando você está testando, criando um MVP, vendo a aplicabilidade da tecnologia, você precisa de velocidade e de agilidade, você precisa errar rápido para aprender rápido. Agora que você descobriu que aquele agente vai poder mudar completamente como a sua empresa redesenha seus processos, atende clientes, integra cadeias de suprimento, presta um serviço, aí entram outros predicados para ganhar escala. Tem que ter segurança, gestão de dados, governança de acesso, uma visão clara de como essa orquestração de agentes acontece para que, ao acontecer um problema, uma falha ou um tipo de indisponibilidade, atuar rapidamente. Esses predicados de governança, agora, ganham uma escala diferente”, ressaltou Braga.

O ambiente, contudo, é complexo, com um mundo múltiplo com agentes de várias empresas e de várias tecnologias sendo usados em conjunto para entregar uma experiência. Nesse cenário, Braga destaca a importância de as companhias contarem com governança multiagente, multinuvem e multiambiente.

Sem vencedor
Para Braga, assim como na computação em nuvem, o universo da inteligência artificial generativa não tem um único vencedor. São vários protagonistas a depender da característica que a empresa quer usar. Não se trata, portanto, de um jogo de um vencedor só, porque não existe um modelo que resolva todas as demandas: diferentes IAs têm escopos distintos.


“No mundo de IA, cada modelo tem a sua particularidade; têm modelos amplos que geram imagens ultrarrealistas, textos, vídeos. Dependendo do caso de uso, você precisa de uma SLM (small language Models) diferente supereficiente, super-rápida, que a alucinação seja mitigada e o custo seja muito menor. Como você usa todas essas opções dentro da empresa, existe a necessidade de uma visão integrada desses vários modelos”, assinalou.

Nesse sentido, como a IA se alimenta de dados — e dados ainda representa um desafio para a maioria das empresas, é necessário organizar os dados, simplificar o acesso e garantir que tudo tudo seja feito pela pessoa certa, pela aplicação certa, pela necessidade certa, considerando os temas de LGPD e de governança.

Governança, integrando as diversas bases de dados que podem estar dentro ou fora da empresa, com camadas de virtualização e conectividade estará no cerne das discussões de negócios de 2026.

Tendências
De fato, a IA agêntica como motor de transformação consta entre as cinco tendências que o IBM Institute for Business Value (IBV) divulgou. O estudo mostra como líderes empresariais no Brasil estão se preparando para um cenário marcado por disrupção tecnológica, volatilidade econômica e necessidade de decisões rápidas. E indica que IA agêntica, soberania de IA e colaboração com parceiros serão fatores decisivos para competitividade em 2026.

A IA agêntica surge como um dos principais motores dessa transformação, com 65% dos executivos brasileiros dizendo que agentes de IA estão ajudando suas organizações a tomar decisões melhores e mais rápidas e a realocar recursos para capturar oportunidades em meio à disrupção. As organizações estão avançando para operar com IA no centro, com agentes de IA assumindo papéis cada vez mais autônomos integrados a processos críticos. No Brasil, 75% dos executivos afirmaram esperar que esses agentes operem de forma independente até o fim de 2026.

Nesta linha, a IBM lançou um serviço de consultoria baseado em ativos, inédito no mercado, que combina ferramentas de IA comprovadas e expertise para ajudar clientes a construir, governar e operar rapidamente sua própria plataforma interna de IA personalizada. O IBM Enterprise Advantage serve para redesenhar fluxos de trabalho, conectar a IA a sistemas existentes e escalar novas aplicações agênticas sem precisar alterar provedores de nuvem, modelos de IA ou infraestrutura central.

O serviço funciona com AWS, Google Cloud, IBM watsonx, Microsoft Azure e modelos open source e proprietários, permitindo que as empresas aproveitem seus investimentos atuais. Veja a entrevista exclusiva da CDTV, com o presidente da IBM, Marcelo Braga.

Botão Voltar ao topo