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Copel sai em defesa do 450MHz para elétricas; afasta teles da missão crítica e investe R$ 15 milhões em rede privativa 4G

Projeto foi feito com a Hughes e as teles ficaram apenas com links de redundância. Empresa chegou a 2 milhões de medidores inteligentes.

A Copel investiu R$ 15 milhões para montar uma rede privativa de telecomunicações para ligar a infraestrutura de campo, como subestações, religadores e medidores inteligentes, às equipes do Centro de Operações, em Curitiba. Pela rede, a Copel visualiza o que está acontecendo em tempo real nas redes de energia e consegue operar equipamentos à distância e reduzir o tempo de interrupções no fornecimento de energia. 

A implantação teve início em 15 municípios da região metropolitana de Curitiba e será expandida para o restante do Estado. A Hughes foi contratada para fazer a implantação dessa rede como integradora. Ter o sistema próprio é considerado fundamental, em especial, em tempos de mudanças climáticas e da necessidade de restaurar a rede em tempo real.

“A cobrança existe do regulatório, do consumidor. A rede própria nos dá uma segurança maior. As redes públicas também sofrem com as mudanças climáticas. Mas vou continuar contratando links públicos. Preciso de redundância”, explica o superintendente da Copel, Sérgio Milani, em entrevista ao Convergência Digital durante o UTCAL 2026, realizado esta semana no Rio de Janeiro.

O executivo falou ainda sobre o uso da faixa de 450 Mhz. Milani defendeu a concessão da faixa às empresas de energia. “Já há um ecossistema pronto para o 450Mhz. Falam no 410 Mhz, mas nessa faixa não temos ecossistema. Tudo ficará mais caro e mais demorado. Ter redes em tempo real é um serviço ao cidadão”, pontuou.

A Copel também comemora a implantação de mais de 2 milhões de medidores inteligentes no Paraná. Nas primeiras regiões a contar com a nova tecnologia, a comunicação dos smart meters das unidades consumidoras com a rede automatizada se dá via rádio na frequência de 900 MHz. Mas em 2026, será ano de observação e não de expansão, até porque é um ano de revisão tarifária. “Vamos colher os frutos do investimento feito. Vamos ver os benefícios. Mas é claro que a transformação digital é uma realidade e mais medidores inteligentes virão”, assinala Milani.


Hughes é a parceira

A Hughes deixou de ser somente um prestador de serviços satelitais para ser um integrador de soluções. Essa é a grande mensagem da fornecedora, que tem redes privativas como ativo estratégico, mas não significa deixar de lado a oferta satelital, onde a concorrência da Starlink está mudando o cenário nacional. “Tem concorrência sim, mas há espaço para todos e aplicações precisando de conectividade”, diz Eugenio Mrozinski Neto, diretor da Hughes do Brasil.

No caso da Copel, o papel integrador significou reunir 14 fornecedores diferentes para montar uma rede de missão crítica em menos de quatro meses. Neto diz que foi um trabalho complexo, que contou com a ajuda da própria Copel para obter a liberação para obras. “Tivemos que ser rápidos, ágeis e coordenar diferentes fornecedores. Foram muitas mãos trabalhando juntos”, adicionou.

O projeto da Copel é em 450MHz, mas a Hughes se diz agnóstica com relação às faixas. Segundo o diretor da integradora, há projetos em 2,3GHz, em 900 Mhz e no 5G. “Tudo passa pela demanda do cliente. Indústrias precisam do indoor e estão indo para o 5G. O agro precisa de cobertura e conectividade. Nós, fornecedores, precisamos estar prontos para todas as faixas”, completa.

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