Crise da Oi: trabalhadores temem mais calote e criticam gestores judiciais por queimar caixa e liquidar a Oi Soluções
"A falência não pode ser um salvo-conduto para o desperdício de patrimônio, o desrespeito ao trabalhador ou até mesmo vontade pessoal que não condizem com a grandeza e o potencial da Oi", reforçam as entidades FENATTEL, FITRATELP E LIVRE, em carta aberta à sociedade.

As Federações representativas dos trabalhadores em telecomunicações – FENATTEL, FITRATELP E LIVRE – divulgaram uma carta aberta à sociedade alertando para os riscos da decretação da falência da Oi, da mesma forma que aconteceu com a Serede, a subsidiária de manutenção de rede.
No documento, os trabalhadores denunciam calote- não houve pagamento dos funcionários da Serede nos últimos dois meses e temem que o mesmo aconteça com os funcionários da Oi; criticam a falta de controle das gestões judiciais da Oi e da Serede e alertam para a dilapidação de ativos significativos da Oi, como a venda da sucata de cobre, dos bens imóveis não reversíveis, dos depósitos recursais e dos créditos judiciais favoráveis à companhia.
Os trabalhadores advertem ainda que, diferente do cenário de escassez absoluta propagado, o Grupo Oi detém infraestrutura massiva que poderia ter sido convertida em liquidez para honrar compromissos trabalhistas e operacionais e elencam:
*Rede de Dutos: A Oi detém 11.573 km de dutos remanescentes (base Março/24).
*Infraestrutura Aérea: São 105 mil km de rede instalada nas 20 maiores cidades de cada unidade da federação.
*Ativos Físicos: O inventário registra 22.526 postes próprios e uma base histórica de 350 Postos de Serviços (PS) em 200 municípios.
*Falam ainda da fatia relevante de 27,26% (até início de 2026) de participação da Oi S/A na V.tal, além dos milhares de imóveis, que em uma análise simplista, certamente ultrapassa os 12,3 Bilhões de reais.
*Oi Soluções: não há um cuidado com a unidade o que impacta na perda de profissionais altamente qualificados além de clientes que, não vendo nenhuma iniciativa de continuidade da empresa já começam a buscar outras alternativas afetando a situação financeira da unidade.
Na carta aberta, os trabalhadores não poupam críticas aos gestores judiciais da Oi e da Serede – Bruno Rezende e Tatiana Binato. Segundo as entidades, há uma falta de controle e de criatividade na gestão judicial. “É inaceitável que a administração declare desconhecer informações sobre redes em condomínios, hotéis ou o potencial de repetidoras. Essa negligência patrimonial é acompanhada de uma gestão de pessoal temerária”, diz o documento.
A carta informa ainda que a manutenção de centenas ou talvez milhares de empregados sem atividades definidas, acelera o endividamento com aumento de custo desnecessário e queima o exaurido caixa da empresa, principalmente pela redução da receita do Oi Soluções, pela falta de foco e apoio ao crescimento e continuidade da empresa.
Denunciam o risco de calote na Oi. “Esta situação assombra os atuais empregados com a perspectiva real de que pode repetir o acontecido com a SEREDE e nada receberem após a consolidação da falência”. E exigem urgência nas rescisões. “É imperativo que se pague imediatamente os direitos trabalhistas dos empregados da SEREDE já demitidos”.
Os trabalhadores exigem ainda uma transição coerente com a sobrevivência da única operação rentável restante, a Oi Soluções. Para que ela sobreviva, a gestão deve:
*Afastar o receio dos clientes da Oi Soluções através de uma gestão que priorize soluções práticas em vez de decisões que visam apenas honorários advocatícios.
*Proceder com demissões de forma ordenada e coerente dos inúmeros empregados que atualmente estão sem nenhuma atividade, priorizando o pagamento integral das verbas trabalhistas, estancando a sangria do caixa. Neste aspecto, as entidades sindicais estão buscando todos os esforços para que a Oi apresente um plano de demissão voluntária que seria o mínimo reconhecimento aos empregados que passaram por inúmeras transformações e ajudaram a trazer a cia até aqui.
*Utilizar a infraestrutura aérea remanescente e a logística da SEREDE para gerar receita imediata e adicional em novos mercados, como por exemplo manutenção predial, ou até mesmo para os demais ISPs.
As entidades de trabalhadores alertam que “a falência não pode ser um salvo-conduto para o desperdício de patrimônio, o desrespeito ao trabalhador ou até mesmo vontade pessoal que não condizem com a grandeza e o potencial da Oi . Exigimos diligência com todos os bens da Oi, que são ativos preciosos para que se possa dar continuidade ou até mesmo garantir que cada trabalhador receba o que lhe é de direito.”
Exigem, por fim, que os administradores judiciais, Bruno Rezende e Tatiana Binato, apresentem um plano estruturado a respeito de suas intenções para com as Empresas Oi S/A, SEREDE e THATO. “O silêncio dos Administradores, até o momento, não contribui com aquilo que se espera de uma gestão que visa atender os interesses da sociedade, dos seus credores e principalmente de seus empregados”, conclui o documento.



