Ericsson: teles e hyperscalers disputam quem será o ‘dono’ da IA física nas telecomunicações
De acordo com a fabricante, aqui, a segurança da rede fará toda a diferença na disputa. Ericsson admite que o mercado de APIs não andou como o esperado, mas diz ser a única maneira de as teles terem a monetização esperada com o 5G.

Em coletiva de imprensa com jornalistas nesta sexta-feira, 13/3, o presidente da Ericsson Cone Sul da América Latina, Rodrigo Dienstmann, admitiu que a pressão da inteligência artificial no mercado de telecomunicações está desenhando uma ‘disputa’ pelo domínio, do que chamou arquitetura de inferência, ou de edge computing.
“Quem vai ser dono dessa arquitetura é uma disputa que está se desenhando, serão as teles? serão os hyperscalers? Ou teremos um terceiro ator? Essa resposta ainda não existe. Mas é fato que as operadoras sabem que a IA mudou o jogo. Quem vai ser o dono da inferência na rede? É o que toda a indústria quer saber”, frisou o executivo, ao comentar o tema de destaque no Mobile World Congress 2026, realizado em Barcelona, na Espanha.
A Ericsson assegura que está pronta para ajudar as operadoras a prepararem suas redes para a Inteligência Artificial. “Mudou. O uplink passa a ter uma relevância que não teve até agora. “A IA física vai exigir enviar muito dados e receber menos dados. É uma mudança genética na rede, que foi feita para humanos, e precisa, agora, ser pensado para agentes IA”, pontuou Dienstmann.
Andrea Faustino, CTO da Ericsson Latam South, disse que a companhia já aplica algoritmos de inteligência artificial em diferentes partes de seu portfólio. “Nossas base bands de RAN, nosso equipamento de core, nosso software de core, as aplicações de core que vão para dentro da rede, as aplicações que rodam ali no sistema de BSS das operadoras, todas elas têm um software com algoritmos de inteligência”, afirmou.
Com relação ao 5G standalone, o CEO da Ericsson para o Cone Sul da América Latina admite que ele não ganhou escala, mesmo em mercados mais desenvolvidos. “O Brasil até saiu na frente ao colocar a obrigação do 5G standalone no leilão, mas a expansão ainda é lenta”, observa Dientsmann. Mas ele também lembra que faltam aparelhos 5G standalone no mercado. “Essa ausência de terminais retarda o processo”.
Ao ser questionado sobre a pouca presença da Ericsson nas redes privativas e no B2B, o CEO da Ericsson reconheceu que avançou pouco, mas diz que os dispositivos estão começando a incorporar o 5G e a própria inteligência artificial. “Já temos uma demanda do campo para o 5G. Temos projetos de mineração, mas a maior parte com o 4G. Mas agora estão vindo os 5G”, adiciona.
Aliás, o CEO da Ericsson lamentou a perda da TIM no mercado de 5G, reforçou que as vendas na região ficaram flat, e que a fabricante está à frente da Nokia, mas atrás da Huawei, que cresceu muito. Segundo ele, houve um boom de investimento no 5G em 2023 e 2024, mas, agora, os aportes caíram. “Mas temos a monetização do 5G como meta”, salienta.
APIs
Rodrigo Dienstmann também falou sobre a Aduna, joint -venture entre Ericsson e grandes operadoras estrangeiras para a comercialização internacional de APIs do Open Gateway. Ele revelou que negocia à conexão das operadoras brasileiras à sua plataforma.
As teles nacionais não serão sócias, mas vão permitir a venda de recursos das suas redes através das APIs em projetos globais vendidos pela Aduna. Paralelamente, a Aduna está negociando com marketplaces para a distribuição das APIs do Open Gateway e aqui entra a Vonage, um dos maiores investimentos da Ericsson nos Estados Unidos.
Mais do que pensar no seu próprio futuro, a Ericsson diz que as teles precisam usar as APIs, como fonte de receita nas redes 5G. “Os modelos de negócios têm de deixar de ser em gigabytes. A venda será por slices. Novos modelos têm de surgir. Só assim se terá a monetização”, concluiu.





