

A pesquisa mais recente da GSMA sobre o mercado móvel, divulgada no MWC 2026, que acontece em Barcelona, na Espanha, conformou que a indústria de telefonia móvel está indo além da conectividade, com as operadoras buscando novas fontes de receita em IA, plataformas digitais e serviços corporativos, o que resultará em uma contribuição do setor para o PIB global de US$ 11,3 trilhões até 2030.
A GSMA apurou que, em 2025, as tecnologias e os serviços móveis contribuíram com US$ 7,6 trilhões para o PIB global, o equivalente a 6,4% do PIB total. Prevê-se que esse valor suba para 8,4% do PIB total até 2030. A receita das operadoras também deverá aumentar de US$ 1,19 trilhão em 2025 para US$ 1,36 trilhão em 2030, com investimentos de capital (capex) entre 2025 e 2030 totalizando US$ 1,2 trilhão.
Até 2030, prevê-se que 57% das conexões móveis totais sejam em redes 5G. Espera-se que as tecnologias legadas 2G e 3G caiam para 1% e 5% das conexões, respectivamente, marcando uma transição para redes avançadas.
Apesar da expansão da rede, as lacunas persistem. Em 2024, a lacuna de cobertura global era de 4%, enquanto a lacuna de uso era significativamente maior, de 38%, o que destaca o desafio de impulsionar a adoção entre os usuários que já estão dentro do alcance da rede.
Principais tendências
A pesquisa da GSMA reitera que, embora a expansão da cobertura 4G e 5G continue sendo uma prioridade, o setor está entrando em uma nova era moldada por “serviços digitais inteligentes, adaptáveis e de valor agregado”, viabilizados pela arquitetura móvel de próxima geração, como o 5G standalone (SA 5G), e pela adoção de IA em casos de uso para consumidores e empresas. De acordo com o relatório, essa mudança marca a transição de um “modelo centrado na conectividade” para um impulsionado por “plataformas digitais avançadas e inovação baseada em dados”.
A monetização por IA é uma das principais tendências nas agendas das operadoras, com 45% delas citando fluxos de receita habilitados por IA como prioridade estratégica. A segurança de rede também permanece uma preocupação central, à medida que a dependência digital cresce.
A inovação em dispositivos também mudou, com a experiência do usuário sendo prioridade maior do que as atualizações de hardware, visto que os recursos de IA influenciam cada vez mais a diferenciação de dispositivos e os ciclos de atualização. Enquanto isso, a adoção do eSIM deverá representar 42% de todas as tecnologias SIM até 2030, oferecendo mais oportunidades de monetização ao suportar conectividade com múltiplos dispositivos e novos modelos de serviço.
Por fim, no âmbito empresarial, as empresas planejam alocar cerca de 10% de suas receitas para a transformação digital entre 2025 e 2030, impulsionando as oportunidades B2B para fornecedores de tecnologia.
Ana Paula Lobo viajou para Barcelona a convite da Huawei Brasil





