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Inteligência artificial: “É preciso um alfinete que fure a bolha e reduza o risco da inflação”

A advertência é feita pelo chefe de multiativos da Royal London Asset Management, Trevor Greetham. Segundo ele, inflação acelerada é um grande risco de 2026 e pode frear o dinheiro fácil dado aos mercados obcecados pela IA.

Especialistas globais advertem: os mercados de ações globais, em alta devido à euforia com a Inteligência Artificial no início de 2026, podem estar ignorando uma das maiores ameaças que podem estragar a festa: uma disparada da inflação impulsionada, em parte, pelo boom de investimentos em tecnologia.

Os índices de ações dos EUA, nos quais sete grupos de tecnologia contribuíram com metade de todos os lucros do mercado este ano, registraram ganhos de dois dígitos em 2025, atingindo recordes históricos, à medida que o entusiasmo com a IA e a flexibilização monetária também impulsionaram as ações europeias e asiáticas a picos recordes.

Para este ano, ondas de estímulo governamental nos EUA, Europa e Japão, bem como a continuidade do boom da IA, devem reacender o crescimento global, pontuam analistas. Isso tem levado os gestores de fundos a se prepararem para uma possível aceleração da inflação, o que pode levar os bancos centrais a encerrarem seus ciclos de corte de juros, freando bruscamente o fluxo fácil de dinheiro para os mercados obcecados por IA.

“É preciso um alfinete que fure a bolha, e provavelmente ele virá por meio de uma política monetária mais restritiva”, adverte Trevor Greetham, chefe de multiativos da Royal London Asset Management. Ele afirmou que, embora esteja mantendo suas ações de grandes empresas de tecnologia por enquanto, não se surpreenderia se a inflação disparasse em todo o mundo até o final de 2026.

Uma política monetária mais restritiva reduziria o apetite dos investidores por tecnologia especulativa, aumentaria os custos de financiamento para projetos de IA e reduziria os lucros e os preços das ações dos grupos de tecnologia, adicionou Greetham.


A corrida multibilionária dos hyperscalers- Microsoft, Meta e Alphabet, dona do Google, para construir novos centros de dados também foi uma força inflacionária, observaram os analistas, devido à velocidade com que esses projetos consomem energia e chips avançados.

“Os custos estão subindo, não caindo, em nossa previsão, porque há inflação nos custos dos chips e inflação nos custos de energia”, pontuou Andrew Sheets, estrategista do Morgan Stanley. Ele afirmou que a inflação de preços ao consumidor nos EUA permanecerá acima da meta de 2% do Federal Reserve até o final de 2027, em parte devido ao grande investimento corporativo em IA.

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