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Oracle: Teles estão se tornando cada vez mais  fábricas de IA

Para o vice-presidente de vendas pata telcos da companhia, Moisés Medeiros, debate sobre a soberania ganha mais relevância, mas a monetização segue sendo prioridade máxima das operadoras.

A transformação do setor de telecomunicações, impulsionada por inteligência artificial, novos modelos de colaboração e pela evolução das redes, esteve no centro das discussões do Mobile World Congress 2026. Para a Oracle, temas recorrentes no evento — como soberania de dados, ecossistemas de inovação e o desenvolvimento do 6G — estão interligados e ajudam a explicar o futuro da indústria, especialmente em mercados como o brasileiro.

Em entrevista ao Convergência Digital, Moisés Medeiros, vice-presidente de vendas para os setores de telecomunicações, mídia e tecnologia da Oracle América Latina, afirmou que a crescente dependência da inteligência artificial em relação a grandes volumes de dados torna o debate sobre soberania cada vez mais estratégico.

“A soberania ganhou centralidade porque a inteligência artificial passa a depender cada vez mais de dados estratégicos de cada país e de setores críticos. Nesse contexto, defendemos o conceito de IA soberana, que permite que organizações desenvolvam e operem modelos de IA com dados e processamento dentro do país, em conformidade com regulações locais”, afirma.

De acordo com o executivo, esse conceito ganha relevância no Brasil em áreas como governo, saúde, finanças e energia, que lidam com informações sensíveis e exigem elevados padrões de segurança e governança. “A proposta da Oracle é apoiar clientes e operadoras com infraestrutura de nuvem, dados e aplicações capazes de escalar iniciativas de IA com desempenho e conformidade”, diz.

Outro eixo central debatido no evento foi a construção de ecossistemas digitais. Para Medeiros, a geração de valor com IA depende da colaboração entre operadoras, fornecedores de tecnologia e as empresas que utilizam essas soluções. Nesse cenário, as operadoras tendem a assumir um papel mais estratégico, combinando conectividade, dados e capacidade computacional para viabilizar novos serviços digitais.


Já em relação ao 6G, a Oracle avalia que a próxima geração de redes representará mais do que um avanço em conectividade. “As redes 6G devem ampliar a capacidade para aplicações intensivas em dados e inteligência artificial. Por isso, a infraestrutura de telecomunicações passa a ser vista cada vez mais como um ativo estratégico para competitividade e desenvolvimento digital”, afirma Medeiros.

Ecossistema de IA em expansão

No Brasil, o ecossistema de inteligência artificial começa a se consolidar a partir da convergência entre operadoras, provedores de infraestrutura tecnológica e empresas de diferentes setores que passam a consumir serviços baseados em IA. “Um movimento importante é a transformação das operadoras em plataformas de inovação. Em vez de oferecer apenas conectividade, elas começam a monetizar infraestrutura, dados e capacidade computacional para atender à crescente demanda por soluções de IA no mercado corporativo”, explica Medeiros.

A Oracle participa desse movimento como provedora de infraestrutura de nuvem, dados e aplicações para suportar projetos de inteligência artificial. Entre os principais parceiros no país estão a Claro e a TIM Brasil. No caso da Claro, a operadora firmou uma parceria com a Oracle e a NVIDIA para criar uma plataforma de computação acelerada voltada a workloads de IA. A iniciativa permite o desenvolvimento de modelos adaptados ao contexto brasileiro e amplia o acesso à tecnologia para diferentes setores da economia. Já com a TIM Brasil, a colaboração envolve o uso da infraestrutura de nuvem da Oracle para acelerar a adoção de inteligência artificial em diversas áreas da operação da operadora.

Segundo Medeiros, a incorporação de inteligência artificial pelas operadoras ocorre atualmente em três frentes principais: eficiência operacional, experiência do cliente e criação de novos modelos de receita. No campo operacional, a aplicação de análises preditivas e automação permite antecipar falhas e otimizar a gestão da infraestrutura de rede. “Na TIM, por exemplo, o uso de IA contribuiu para reduzir em cerca de 15% as intervenções relacionadas a falhas na rede”, afirma.

A segunda frente envolve o atendimento ao consumidor. Assistentes virtuais e agentes baseados em IA vêm sendo utilizados para automatizar interações e melhorar indicadores de satisfação. “Em outro caso na TIM, um agente de IA reduziu o tempo de atendimento ao cliente e melhorou métricas de experiência”, diz.

Por fim, a tecnologia também abre espaço para novas fontes de receita. “Além de otimizar processos internos, a IA permite que as operadoras desenvolvam novos produtos e serviços digitais para o mercado corporativo. A Claro, por exemplo, passou a oferecer infraestrutura para processamento de IA e desenvolvimento de modelos de linguagem voltados ao mercado empresarial”, explica.

Para a Oracle, essa evolução tende a redefinir o papel das telcos na economia digital. “As operadoras estão se tornando verdadeiras fábricas de IA. Com nuvem distribuída, automação e inteligência artificial incorporada à operação, elas deixam de atuar apenas como provedoras de conectividade e passam a se posicionar como plataformas digitais e fornecedoras de serviços de IA para diferentes indústrias”, conclui Medeiros.

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