
A trajetória acelerada da OpenAI na liderança do desenvolvimento de modelos de inteligência artificial começa a ser acompanhada de um alerta crescente no mercado financeiro. Estimativas recentes indicam que a empresa pode enfrentar um cenário de insolvência já em meados de 2027, resultado do ritmo de investimentos e compromissos que ultrapassam a capacidade atual de geração de receita.
Levantamentos de mercado apontam que a OpenAI estaria consumindo aproximadamente US$ 12 bilhões por trimestre. Ou seja, o aporte de US$ 22,5 bilhões feito pelo SoftBank, anunciado como reforço significativo de caixa, garantiria apenas de cinco a seis meses adicionais de operação caso as projeções de gastos se confirmem. Analistas observam que os compromissos contratuais da empresa incluem a aquisição de 40% de toda a capacidade global de wafers de DRAM até 2028 e encomendas de data centers que só devem entrar em operação a partir de 2029.
Como mostraram dados de 2025, a OpenAI assumiu compromissos de US$ 1,4 trilhão em capacidade computacional para atender às suas necessidades projetadas, apesar de registrar uma receita anual de US$ 20 bilhões no ano passado. A empresa comemora o crescimento uma vez que a receita em 2024 foi de US$ 6 bilhões.
Esse cenário levantou questionamentos sobre o modelo de negócios da empresa. A OpenAI oferece sua tecnologia mais avançada a preços que, segundo economistas do setor, não cobrem integralmente os custos. Estudos independentes têm calculado que a operação só atingiria o ponto de equilíbrio financeiro com um volume de assinantes equivalente a cerca de 80% da população mundial pagando mensalidade, algo considerado inviável mesmo no longo prazo.
O debate ganhou tração após a publicação de análises no mercado norte-americano. Um colunista do New York Times afirmou que a empresa pode ficar sem recursos em 18 meses caso não haja nova onda de investimentos. Um relatório de 2024 já projetava que a OpenAI queimaria US$ 8 bilhões em 2025 e US$ 40 bilhões em 2028. A própria companhia teria estimado que só alcançaria rentabilidade em 2030.
O economista Sebastian Mallaby, do Council on Foreign Relations, chamou atenção para o custo estimado de US$ 1,4 trilhão associado ao projeto de expansão de infraestrutura liderado pelo CEO Sam Altman. Mesmo que parte desses investimentos seja transferida a terceiros por meio de participação acionária, haveria um hiato expressivo a ser coberto por capital privado. A consultoria Bain & Company calculou que o setor enfrenta um déficit de pelo menos US$ 800 bilhões mesmo em cenários otimistas.
O contraste entre empresas nativas da IA e gigantes tradicionais da tecnologia também passou a entrar na análise. Mallaby argumenta que companhias como Microsoft e Meta chegaram à corrida da IA com fluxos de receita já consolidados em publicidade, serviços corporativos e assinaturas, o que lhes permite absorver períodos de baixa rentabilidade enquanto aguardam o amadurecimento do mercado. Startups altamente alavancadas, como a OpenAI, dependem mais diretamente de injeções de capital de risco para sustentar a operação.
Outro obstáculo identificado é o comportamento do consumidor. A maioria dos usuários ainda adota serviços de IA gratuitos e muda facilmente de plataforma quando surgem restrições, anúncios ou limites de uso. Mallaby avalia, no entanto, que essa condição tende a se alterar quando ferramentas mais avançadas de IA agêntica passarem a armazenar preferências pessoais, perfis emocionais e históricos de consumo, o que reduziria a propensão à troca de fornecedor.
A capacidade de mobilização de recursos de Sam Altman tem sido citada como um diferencial relevante. O executivo já articulou captações de US$ 40 bilhões, montante sem precedentes para uma empresa privada e superior ao registrado no IPO da petrolífera saudita Aramco, que movimentou US$ 30 bilhões. A diferença, observam analistas, é que grandes aberturas de capital como a da Aramco foram sustentadas por modelos de negócios lucrativos, enquanto a OpenAI ainda busca uma fórmula para transformar avanço tecnológico em retorno financeiro.





