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TI tradicional é obrigada a pagar a conta (alta) da implantação do 5G industrial?

Para especialistas na Hannover Messe 2025, ainda não está claro se esse gasto/investimento é da tecnologia operacional ou da TI tradicional. A certeza é que o 5G se comprovou e a era da prova de conceito acabou. Mas cadê o dinheiro?

Mais do que ser considerado ainda caro, uma questão trava o avanço do 5G industrial no mundo: Quem vai pagar o custo da implementação? A tecnologia operacional ou a TI tradicional? São duas áreas que não trabalhavam juntas e estão tendo de se entender, sinalizaram especialistas de grandes players industriais e operadores, em debates realizados durante a Hannover Messe 2025, que acontece esta semana, na Alemanha.

Eles foram taxativos: a era da prova de conceito (PoC) para implantações industriais de 5G acabou, mas os desafios em torno de custo, casos de negócios, dispositivos e educação seguem dificultando a adoção em larga escala. O trabalho ainda é longo, mesmo que algumas redes privadas sejam consideradas implementações bem-sucedidas.

O presidente da 5G Alliance for Connected Industries and Automation (5G-ACIA) e diretor da Bosch 6G, Andreas Mueller, apontou para a complexidade percebida e os custos associados à tecnologia. “Tive muitas discussões com meus colegas em fábricas e ninguém conseguiu me dizer o retorno sobre o investimento de uma rede Wi-Fi porque as pessoas não se importam: elas só se importam se há conectividade sem fio. Mas com o 5G, talvez tenhamos requisitos mais exigentes do que outras tecnologias”.

O diretor industrial wireless da Siemens, Daniel Mai, assegurou que o 5G está “comprovado”, acrescentando que a maioria de seus clientes “pensa ativamente em adotar essa tecnologia do ponto de vista do caso de uso, mas no momento a situação econômica adiou alguns dos projetos que estamos buscando”. O executivo diz que a maior parte das barreiras à adoção do 5G foram derrubadas, mas admitiu que faltam dispositivos 5G nativos e a disponibilidade de espectro é um “quebra-cabeça ao redor do mundo, o que não facilita para os fornecedores”.

O vice-presidente de vendas de rede privada EMEA da Ericsson, Duncan Hawkins, reforçou a questão econômica. Segundo ele, há dúvidas reais em muitas empresas sobre onde a responsabilidade e o orçamento para implantações de 5G ficariam, dados os impactos na tecnologia operacional (OT) e nas equipes de TI.


Hawkins acrescentou “você tem duas partes diferentes de uma organização que talvez não tenham trabalhado juntas antes”, observando que também há fases de orçamento em que “você está tentando criar algo disruptivo no meio, mas se o dinheiro não estiver lá, você precisa reunir todas as partes interessadas para disponibilizar o dinheiro”.

Juah Mirsch, gerente global de produtos para conectividade da ABB, player de eletrificação e automação, comprovou a aposta de grandes empresas no 5G. Ele ressaltou que, da perspectiva de OT, “enfrentar a mudança climática e a mudança demográfica [de trabalhadores] são para nós os principais alvos onde queremos usar a tecnologia 5G. Todos nós temos o alvo comum de transição energética e eficiência energética. E isso requer ter dados à mão e automatização para simplificar a tomada de decisão”, completou.

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