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USP ativa fábrica de semicondutores no conceito sob demanda

PocketFab tem infraestrutura portátil, reconfigurável e orientada à produção em lotes e aplicações específicas com capacidade de 10 milhões de componentes por ano.

A Universidade de São Paulo lançou uma fábrica de semicondutores inédita no país, apostando em um modelo compacto e modular para aproximar a pesquisa de ponta da produção industrial. Batizada de PocketFab, a iniciativa resulta de uma parceria entre a USP, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo, com apoio de entidades do setor produtivo, entre elas a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica.

Diferentemente das grandes fábricas de chips, que exigem investimentos bilionários e operam em larga escala, a PocketFab foi concebida como uma infraestrutura portátil, reconfigurável e orientada à produção em lotes e aplicações específicas. O objetivo é acelerar ciclos de inovação, ampliar o acesso à manufatura avançada de semicondutores e contribuir para o fortalecimento da soberania tecnológica brasileira.

A fábrica modular terá capacidade produtiva estimada em até 10 milhões de componentes por ano e abrangerá todas as etapas do processo, desde o design de chips, conduzido pela USP, até a validação, integração e aplicação industrial, sob liderança do Senai-SP. Em um cenário global marcado por instabilidades nas cadeias de suprimento, a PocketFab surge como alternativa estratégica para atender demandas específicas da indústria nacional, especialmente em setores que dependem fortemente de semicondutores.

Entre as áreas que poderão se beneficiar da nova infraestrutura estão o setor automotivo, com o desenvolvimento de chips para sistemas avançados de assistência ao motorista, a indústria de máquinas e equipamentos, por meio de sensores inteligentes voltados à automação e à manutenção preditiva, e a área de saúde, com semicondutores dedicados a dispositivos de diagnóstico e monitoramento médico adaptados à realidade brasileira.

Para o presidente executivo da Abinee, Humberto Barbato, a iniciativa responde a uma necessidade urgente do país. Segundo ele, a expansão de tecnologias digitais, data centers e aplicações de inteligência artificial tem elevado de forma significativa a demanda por componentes eletrônicos. Barbato lembrou que, desde a pandemia, diferentes setores da indústria enfrentam oscilações no fornecimento de semicondutores, em especial o automotivo e o de armazenamento de dados, em razão da concentração da produção no leste asiático e do aumento global da demanda.


Na avaliação do dirigente, a fábrica modular da USP terá papel decisivo para o setor eletroeletrônico e para a reindustrialização do Brasil, ao demonstrar que a cooperação entre academia, indústria e políticas públicas é o caminho para ampliar a independência tecnológica e a agregação de valor.

O reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Júnior, destacou que a universidade tem a responsabilidade de liderar investimentos em áreas estruturais de pesquisa com impacto direto no desenvolvimento econômico e social. Segundo ele, a criação da PocketFab não substitui a pesquisa básica, mas amplia a capacidade da instituição de responder às demandas atuais da sociedade por inovação aplicada e infraestrutura tecnológica avançada.

O coordenador do Centro de Inovação InovaUSP, Marcelo Zuffo, ressaltou que o projeto representa uma mudança de paradigma na fabricação de semicondutores. De acordo com ele, a fábrica ocupará cerca de 200 metros quadrados e contará com equipamentos de altíssima precisão, permitindo flexibilidade e adaptação rápida a diferentes projetos e necessidades industriais.

Durante o evento, a USP também apresentou outras iniciativas estratégicas na área de inovação. Entre elas está a inauguração do supercomputador Joint Artificial Intelligence Research Unit, dedicado à pesquisa em inteligência artificial e já em operação no InovaUSP. A universidade anunciou ainda a

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