Vivo mostra desinteresse em participar de leilão da Oi para comprar ativo de fibra na V.tal
Leilão, marcado para o dia 05 de março, tem tudo para ficar vazio ou ter apenas a participação da V.tal. "Não vejo sentido ser minoritário numa empresa de infraestrutura alheia", disse Christian Gebara, CEO da Vivo.

A Vivo mostrou total desinteresse em participar do leilão dos ativos de fibra da Oi na V.tal, agendado para o dia 05 de março.
“Não vejo sentido em sermos minoritários numa empresa de infraestrutura ainda mais tendo clientes B2C, depois de eu ter recomprado o controle da Fibrasil. O negócio de fibras neutras não deu certo no Brasil para a atração de novos clientes”, afirmou o CEO da Vivo, Christian Gebara, em coletiva de imprensa para a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025, realizada nesta segunda-feira, 23/2.
A Oi estimou em R$ 12,3 bilhões o valor de sua participação acionária na V.tal, empresa controlada por fundos do BTG Pactual. Antes da Vivo, a TIM já tinha revelado desinteresse também. O mais provável é que o leilão fique vazio ou a própria V.tal tente comprar, mas há rumores que nem ela estaria disposta a investir o valor pedido pela Oi.
A estratégia da Vivo será a de conseguir clientes nos seus ativos. Hoje a Vivo tem 31 milhões de domicílios com fibra passada. Gebara disse que o potencial é de 60 milhões, até em função da incorporação da Fibrasil, mas acredita que por ser um mercado com fragmentação exagerada e elevada, será complexo atingir essa marca. “Vamos ficar entre 31 milhões e 60 milhões. “O mercado de banda larga precisa encontrar a sustentabilidade que não veio ainda”, pontuou o CEO da Vivo.
Resultados financeiros
A Vivo encerrou 2025 com um lucro líquido de R$ 6,2 bilhões, alta de 11,2%. No quarto trimestre, atingiu R$ 1,9 bilhão, aumento de 6,5%. A receita total manteve o ritmo de crescimento acima da inflação, e concluiu 2025 em R$ 59,6 bilhões, incremento de 6,7%. No quarto trimestre, fechou em R$ 15,6 bilhões, com elevação de 7,1%. O EBITDA anual totalizou R$ 24,8 bilhões, valor 8,5% maior em relação ao ano anterior, com margem de 41,7%. No trimestre, registrou R$ 6,7 bilhões, progresso de 8,1% e margem de 42,9%. Ao excluir os efeitos do fim da concessão, o EBITDA trimestral tem alta histórica de 17,7%.
Os investimentos somaram R$ 9,3 bilhões, com capex/receita de 15,6%, uma redução de 0,9 p.p no ano, refletindo disciplina financeira e capacidade de ampliar faturamento com menor intensidade de capital. A maior parte dos recursos foi direcionada à expansão de rede, especialmente 5G, que chega a 716 municípios e cobre 67,7% da população. A fibra avança para 31,0 milhões de domicílios em 453 cidades.
A receita de serviço móvel atingiu R$ 9,8 bilhões no trimestre, crescimento de 7,0%, impulsionada pelo pós-pago, que subiu 9,0% com R$ 8,4 bilhões em faturamento. A linha de aparelhos e eletrônicos, que considera a venda de celulares, acessórios e outros dispositivos, aumentou 13,7%, encerrando o período em R$ 1,3 bilhão. Destaque às vendas de smartphones compatíveis com 5G, responsáveis por 97,1% do total comercializado.
O segmento fixo alcançou R$ 4,4 bilhões no trimestre, incremento de 5,4%. O desempenho é guiado pela receita de fibra, de R$ 2,0 bilhões, alta de 9,8%, e pela receita de dados corporativos, TIC e serviços digitais, que chegou a R$ 1,5 bilhão, progredindo 10,2%.
Com 7,8 milhões de clientes conectados com fibra, volume 12,0% superior em relação ao ano anterior, a companhia fortaleceu sua estratégia comercial com o Vivo Total – oferta que combina fibra e móvel –, que já representa 43,2% dos acessos de fibra e 3,4 milhões de assinantes, progressão anual de 40,9%. Esse desempenho refletiu a preferência dos clientes por serviços convergentes e contribui para manter o menor churn em fibra dos últimos anos, de 1,4%.
A empresa finalizou 2025 com 116,7 milhões de acessos, sendo 103,0 milhões na rede móvel. O pós-pago registrou 70,8 milhões, alta 6,5%, garantindo a liderança nacional com market share de 40,3%. Nos três últimos meses do ano, a Vivo expande ainda mais sua base pós-paga ao inserir 930 mil acessos (ex-M2M e dongles), seja por migrações ou aquisição de novos clientes, contribuindo para manter um churn mensal em índice historicamente baixo, de 1,0%.
Gestão operacional
Os custos totais do trimestre atingiram R$ 8,9 bilhões, alta de 6,3%, parcialmente compensada por eficiências operacionais e maior uso de canais digitais. No ano, o fluxo de caixa operacional vai a R$ 15,6 bilhões, avançando 13,4%, com margem de 26,1%. A Vivo encerrou 2025 com uma geração de caixa de R$ 9,2 bilhões, crescendo 11,4%.
A remuneração paga aos acionistas totalizou R$ 6,4 bilhões, evoluindo 9,1%, e payout de 103,4%. Durante o ano, a companhia liberou R$ 2,6 bilhões em JCP, R$ 2,0 bilhões por meio da redução de capital e R$ 1,7 bilhão em recompra de ações. A empresa mantém o compromisso de distribuir aos acionistas 100% ou mais do lucro líquido até o final de 2026.





