Opinião

Novo ano, novo CNPJ (agora alfanumérico): essa mudança vai impactar sistemas e integrações

A mudança não é só um ajuste cadastral. É uma prova prática de maturidade operacional.

Por Erich Silva*

A Receita Federal publicou a Instrução Normativa RFB nº 2.229/2024, que determina a adoção do CNPJ em formato alfanumérico a partir de julho de 2026. O novo CNPJ continua com 14 posições, mas passará a aceitar letras e números, e isso valerá exclusivamente para novas inscrições (novas empresas e filiais). Os CNPJs atuais não serão alterados e permanecem válidos.

No papel, parece apenas uma mudança de cadastro. Na prática, é um teste de maturidade operacional: os sistemas foram desenvolvidos assumindo que o CNPJ é apenas um número, e a maioria deles não está preparado para o novo formato.

Os problemas podem surgir em campos que só aceitam dígitos, regras que barram qualquer letra, ou cadastros que validam o CNPJ antes de salvar. Com isso, sistemas e integrações podem interromper operações simples (como cadastrar um cliente) e também fluxos mais críticos (como faturar, conciliar e emitir documentos).

O que muda no novo CNPJ, e por que isso importa para todos


O novo CNPJ mantém 14 caracteres e passa a ser estruturado com letras e números nas primeiras posições, mantendo os dígitos verificadores numéricos no final.

Mesmo que uma empresa não vá “trocar” de CNPJ, ela vai conviver com CNPJs alfanuméricos no ecossistema: novos fornecedores e clientes, por exemplo. Ou seja, é uma mudança que afeta toda a operação.

Em empresas bem organizadas, o impacto tende a ser pequeno. O risco aparece quando processos e sistemas não antecipam essa mudança.

Isso porque o CNPJ costuma ser o identificador que conecta tudo: ERP, CRM, fiscal, bancos e plataformas externas. Se uma dessas conexões ainda tratar o CNPJ como somente numérico, esses problemas irão ocorrer:

Cadastro recusado em portais de fornecedores, clientes ou parceiros;
Falha na consulta de dados por CNPJ;
Duplicidade de cadastro;
Travas em integrações que dependem do CNPJ para cruzar informações (como faturamento, cobrança ou validação fiscal);
Atrasos operacionais porque alguém precisa atualizar o CNPJ manualmente.
A questão não é esperar o novo formato do CNPJ dar problema. É garantir que os processos aceitem e validem os dois formatos — o antigo e o novo — sem travar a rotina.

O que fazer agora: checklist prático para a mudança do novo CPNJ

As empresas precisam começar com método e foco no que realmente importa:

Descobrir onde o CNPJ é usado na prática
Listar os lugares onde o CNPJ aparece, seja em telas de cadastro, formulários, portais, planilhas, relatórios, sistemas internos e troca de dados com clientes, fornecedores e parceiros.
Garantir que o CNPJ seja tratado como numérico e alfanumérico, pois os dois formatos vão coexistir
Todo campo que considerar o CNPJ precisa aceitar ambos formatos, sem cortar caracteres e sem travar quando houver letras.
Revisar regras de validação e preenchimento
Para verificar se existe alguma regra que “barra” letras automaticamente (por exemplo, campo que aceita só dígitos ou validação que impede salvar).
Checar sistemas que trocam dados
E revisar cada integração e validação entre bancos, fornecedores, plataformas fiscais, contabilidade, operadores logísticos, fornecedores, clientes e parceiros.
O novo CNPJ exige preparo, muito antes de julho

A mudança não é só um ajuste cadastral. É uma prova prática de maturidade operacional. Julho de 2026 marca o início da mudança, mas a preparação começa agora: quanto antes a empresa identificar onde o CNPJ é usado e garantir que seus sistemas e integrações aceitem os dois formatos, menor será o risco de interrupções, retrabalho e atrasos.

*Erich Silva é Diretor de Operações e Talentos e sócio da Lecom, com mais de 25 anos de experiência em consultoria e tecnologia.

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