Opinião

O papel do CIO na era da Inteligência Artificial

O papel do Chief Information Officer, como tantos outros, mudou. Quem não percebeu, está atrasado.

Por Cassio Christianini*

O papel do Chief Information Officer, como tantos outros, mudou. Quem não percebeu, está atrasado. Antes associado a funções técnicas, o CIO emerge como estrategista de negócios, arquiteto de dados e catalisador da cultura organizacional. Ele não é “apenas” responsável por tecnologia, mas por definir o futuro do negócio.

Na América Latina, o entusiasmo em torno da Inteligência Artificial convive com uma base tecnológica fragmentada: sistemas legados, integrações incompletas, dados dispersos e diferentes níveis de maturidade digital. Segundo a Gartner, menos da metade das organizações possui processos de gestão de dados suficientemente maduros antes de lançar projetos de IA, aumentando consideravelmente o risco dos investimentos.

O desafio central, portanto, não é implementar IA, mas preparar o ambiente para que ela gere valor. Isso exige organizar o ecossistema tecnológico, adotando abordagens como o Clean Core, que mantém um núcleo estável enquanto customizações são deslocadas para camadas externas. Essa preparação envolve definir modelos de dados, consolidar informações, modernizar arquiteturas e estabelecer governança. É nesse contexto que o CIO ganha protagonismo, evoluindo para uma função estratégica capaz de transformar dados em uma base confiável e orientada ao negócio.

A inovação forma um ciclo: dados viabilizam a IA, a IA transforma os dados e ambos remodelam processos e decisões. Quando bem gerido, esse ciclo amplia competitividade e gera valor tangível. O CIO atua como orquestrador desse processo, conectando estratégia e execução. Cabe a ele definir como os dados são coletados, gerenciados e analisados, traduzindo o potencial da IA em decisões, alinhando investimentos e mitigando riscos. O valor do CIO está, portanto, justamente em integrar dados, processos, cultura e estratégia.


A IA deixa de ser uma ferramenta de TI e passa a ser um ativo transversal, capaz de transformar toda a organização. Ainda mais quando precisamos lidar com diversidade econômica, marcos regulatórios distintos, cadeias de suprimento complexas e diferentes níveis de informalidade e maturidade digital. Mais do que entregar tecnologia, trata-se de criar as condições para que o negócio evolua com base em dados. A transformação exige colaboração entre lideranças, reforçando o papel do CIO de integrador estratégico, conectando CFOs, COOs e CEOs.

Afinal, a adoção de IA também depende de pessoas. Perfis híbridos, que conectam tecnologia e operação, tornam-se decisivos. Especialmente porque a cocriação de soluções alinhadas ao negócio acelera a implementação e aumenta a confiança. Outro ponto crítico é o alinhamento de expectativas. Sem métricas compartilhadas, como eficiência ou redução de erros, os resultados podem ser interpretados de formas distintas. Modelos comuns de mensuração são essenciais para comunicar valor de forma consistente.

A IA já deixou de ser promessa. O tempo de pilotos já passou. É ora de entregar valor real, escalar com consistência, sustentar a governança e transformar a IA em vantagem estrutural. Nessa jornada, a missão do CIO é clara: garantir que investimento vire estratégia, estratégia vire execução e tecnologia se incorpore à cultura organizacional, transformando-se em parte estrutural do negócio e vantagem competitiva sustentável.

Cassio Christianini é Vice-presidente de Inteligência Artificial da SAP Americas.

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