Para Vivo, maioria dos clientes da Oi não tem experiência em dados 4G
A Vivo divulgou primeiras estimativas de que, pelo menos em custos de operação e investimento, a fatia comprada da Oi Móvel vai render R$ 5,4 bilhões em “sinergias”. Se não chega a causar sensação diante dos R$ 5,37 bilhões que desembolsou no negócio, vale lembrar que a empresa leva 43 MHz em radiofrequências cobiçadas – 900 MHz, 1,8 GHz e 2,1 GHz e 12,5 milhões de clientes.
Ao apresentar as estimativas nesta quinta, 28/4, o presidente da Vivo, Christian Gebara, indicou que a empresa vai tentar acelerar a absorção dos clientes, na expectativa de turbinar as receitas. Ele anotou que a fatia da Oi adquirida garante R$ 135 milhões de receita líquida mensal, mas lembrou que se tratam de planos com valores abaixo dos que a Vivo pratica.
“Depois que passaram para o nosso ambiente podemos abordá-los com diferentes serviços que podem interessar. Todos esses clientes vão se beneficiar dos serviços digitais, e da experiência de dados em 4G que a maioria deles não tinha e que aumenta o consumo de dados”, destacou Gebara.
As ofertas de 4G no Brasil decolaram a partir do leilão da faixa de 700 MHz, em 2014, do qual a Oi, já em dificuldades, não participou. “Temos certeza da capacidade de fazer cross-selling com a base de clientes que estamos adquirindo. Esses clientes eram atendidos pela Oi sem 4G em 700 MHz, o que dá possibilidade fornecer uma experiência muito melhor em dados móveis.”
“Ainda estamos tentando compreender melhor os clientes que estamos adquirindo, por isso usamos um cálculo bastante estimado da receita. E é claro que o ‘arpu’ [receita média por usuário] desses clientes é mais baixo que o nosso. São principalmente pré-pagos, nos níveis mais baixo de pré-pagos, enquanto nosso mix é mais pós-pago, híbrido e faixas altas de pré-pago”, disse Gebara.
A ideia, portanto, é tentar o ‘upsell’ o mais rápido. “Podemos acelerar a portabilidade para a nossa base. Vamos oferecer a eles a oportunidade de migrar para a Vivo por meio da portabilidade, ao invés de aguardar a migração total, que vai demorar 12 meses”, revelou o presidente da Vivo.
Além de radiofrequências e chips ativos, a Vivo levou 2,7 mil sites de estações radio-base. Mas essa parte dos ativos comprados é a de menor interesse. Existe uma obrigação imposta pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica, Cade, de oferta de metade dessa infraestrutura para terceiros interessados. E a Vivo já adianta que a maioria, se não for vendida, será desativada.

