Telecom

Vivo supera valor da matriz Telefónica

Operação brasileira fechou a semana passada com valor de mercado de R$ 118 bilhões, acima dos R$ 117 bilhões da holding espanhola.

A Vivo ultrapassou o valor de mercado de sua controladora, a espanhola Telefónica, pela primeira vez na história, num marco simbólico que evidencia a dificuldade do grupo europeu em reconquistar a confiança de investidores. Enquanto as ações da Telefónica recuaram 13% nos últimos 12 meses, os papéis da subsidiária brasileira listada em São Paulo dispararam 40% no mesmo período.

O desempenho oposto levou a Telefónica a fechar 22 de janeiro com valor de mercado de € 18,8 bilhões (R$ 117,7 bilhões), abaixo dos € 19 bilhões (R$ 118 bilhões) atribuídos à Vivo. A controladora detém aproximadamente 77% da operação brasileira, que é seu segundo maior mercado.

O distanciamento entre as duas empresas também se refletiu na comparação com o setor. Em 2025, as ações da Telefónica tiveram desempenho inferior ao índice de telecomunicações Stoxx 600, que avançou 8,6% no ano. Os papéis da operadora espanhola também ficaram atrás do principal índice da bolsa de Madri, que liderou os ganhos na Europa no período.

Os investidores reagiram de forma negativa desde novembro, quando a Telefónica anunciou cortes no pagamento de dividendos e revisão para baixo da projeção de fluxo de caixa livre. A medida reforçou percepções de fragilidade financeira e ampliou dúvidas sobre a capacidade da empresa de sustentar sua estratégia de longo prazo.

A pressão aumentou sobre o novo presidente executivo Marc Murtra, que assumiu o cargo em janeiro de 2025, indicado pelo governo espanhol, que possui cerca de 10% da operadora. Desde então, acelerou a saída de mercados latino-americanos de baixo desempenho, promoveu cortes agressivos de pessoal e substituiu parte da alta administração.


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