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Usuários do Brasil processam Whatsapp por violar criptografia ao acessar conversas

Ação judicial movida nos EUA também inclui usuários da Austrália, México e África do Sul e acusa Meta de violar privacidade

Um grupo internacional de usuários entrou com uma ação judicial contra a Meta, acusando a empresa de fazer alegações falsas sobre a privacidade e a segurança do WhatsApp. A ação foi protocolada em 23 de janeiro, no Tribunal Distrital dos Estados Unidos em San Francisco e contesta um dos principais pilares de marketing do aplicativo: a criptografia de ponta a ponta.

Desde 2016, a Meta promove o WhatsApp como um serviço em que apenas remetente e destinatário podem acessar o conteúdo das mensagens, sem possibilidade de leitura pela empresa. A própria interface do aplicativo afirma que “apenas as pessoas neste chat podem ler, ouvir ou compartilhar” o conteúdo, e que o recurso está ativado por padrão. A criptografia do aplicativo é baseada no protocolo Signal, considerado referência de segurança no setor.

Os autores do processo, que incluem usuários do Brasil, Austrália, Índia, México e África do Sul, alegam que essas informações são falsas. Segundo a petição, a Meta e o WhatsApp “armazenam, analisam e conseguem acessar virtualmente todas as comunicações supostamente privadas dos usuários”, o que, segundo eles, constitui fraude contra bilhões de pessoas no mundo. A queixa afirma ainda que denúncias de “whistleblowers” ajudaram a revelar o suposto acesso, embora não identifique quem seriam essas fontes.

A Meta negou as acusações e classificou a ação como “frívola”. Em nota enviada por e-mail, o porta-voz Andy Stone afirmou que “qualquer alegação de que as mensagens do WhatsApp não são criptografadas é categoricamente falsa e absurda”. Ele acrescentou que o aplicativo utiliza criptografia de ponta a ponta com o protocolo Signal há uma década e que a empresa pretende buscar sanções contra os advogados dos autores. Os advogados dos usuários pedem que o processo seja tratado como ação coletiva.


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