Primeiro broker de nuvem federal, Extreme Group cresce e mira onda de data centers
“Soubemos surfar a onda e ganhamos notoriedade como broker multinuvem. E hoje somos o nono integrador de serviços do país” diz o CEO Gustavo Rabelo.

A aposta pioneira no modelo multicloud do governo federal transformou a antiga EDS em plataforma de expansão do Extreme Group, que agora acelera seu plano de consolidação com a compra da GPS IT, avaliada em cerca de R$ 50 milhões. O grupo, que faturou R$ 600 milhões no último ano e projeta alcançar R$ 1,5 bilhão até 2028, sustenta que a experiência como primeiro broker de nuvem da União deu a musculatura necessária para crescer por aquisições e ampliar sua atuação para além do software e dos serviços.
A virada começou em 2021, quando a empresa venceu a concorrência para administrar o uso combinado de múltiplas nuvens no governo federal. A partir de uma ata de registro de preços, foram assinados 78 contratos e, ao longo do período, a companhia chegou a gerenciar cerca de 100 acordos de serviços em nuvem.
Segundo o CEO Gustavo Rabelo, o impacto foi estrutural. “A gente saiu muito forte depois dessa operação de missão crítica, com muita seriedade, montamos uma equipe robusta, capacitamos muitos jovens. Trouxemos reforços externos do mercado para dar uma camada de senioridade em tudo que a gente tinha de responsabilidade perante a esses clientes, mas também treinamos muita garotada que hoje estão aí dentro da empresa”, afirma.
A exposição nacional consolidou a imagem da companhia como broker multicloud do governo federal, mas Rabelo sustenta que a identidade da empresa nunca se limitou à nuvem. “A gente surfou essa onda muito bem, ganhamos notoriedade, mas sempre fomos uma empresa de serviço. Já somos o nono maior integrador de serviço do país, a nona maior empresa no segmento de integrador de soluções”, diz.
Esse posicionamento ajudou a sustentar um plano de crescimento que combinou expansão orgânica e aquisições. Antes da GPS IT, o grupo já havia incorporado a O3S, depois rebatizada de Pointer, especializada em gestão multicloud, e a Beyond, focada em inteligência artificial. Também criou a EDX, voltada a soluções de experiência do cliente e do cidadão.
Com a chegada da GPS IT, fundada em 2007 e com presença no Rio de Janeiro, São Paulo, Ribeirão Preto e Brasília, o grupo passa a atuar de forma mais intensa em infraestrutura física, conectividade, armazenamento e segurança da informação. A empresa adquirida construiu reputação em projetos de alta complexidade no setor privado, onde disponibilidade e governança são requisitos centrais.
A incorporação fecha uma lacuna estratégica. Até então, o grupo tinha forte presença em software, integração e serviços, mas pouca atuação em hardware corporativo e redes. Agora, amplia o portfólio para incluir storages, soluções de backup, equipamentos de conectividade e camadas avançadas de segurança digital.
O movimento ocorre em meio à discussão sobre investimentos em data centers no país. Rabelo afirma que não há planos de operar estruturas próprias, mas a empresa espera faturar com o boom dos centros de dados. “Não passa pela nossa estratégia ser um data center. Mas temos o conteúdo. Temos tecnologia de ponta para rechear um data center”, afirma.
Na visão do executivo, o diferencial está na capacidade de integrar todas as frentes tecnológicas. “Nosso carro chefe é o enlace de todos os pontos de especialização. É ser integrador de soluções com os vários sabores que temos, com todas as empresas do grupo, seja de serviço, tecnologias de terceiros ou produtos proprietários para ser esse integrador de ponta a ponta”, diz.
Hoje, a antiga EDS segue como a maior empresa do grupo em faturamento e número de funcionários, concentrando fábricas de software e grandes contratos de serviços. Ao todo, o conglomerado reúne cerca de 2 mil colaboradores e mantém carteira relevante tanto no setor público quanto no privado.
Parte da estratégia de expansão passa pela descentralização geográfica. A transferência da matriz para o Porto Digital, no Recife, foi acompanhada de investimentos em formação de mão de obra. “Fugimos da carnificina do eixo Rio-Brasilia-São Paulo, onde a mão de obra é cara, difícil de formar, difícil de reter”, afirma Rabelo. Hoje, cerca de 300 profissionais do grupo estão na capital pernambucana, onde a empresa mantém dezenas de vagas abertas.
Ao combinar a experiência adquirida na gestão de ambientes críticos do governo federal com a ampliação do portfólio para infraestrutura e segurança, o Extreme Group tenta se posicionar como um integrador completo em um mercado cada vez mais pressionado por demandas de inteligência artificial, processamento intensivo de dados e modernização de sistemas. A compra da GPS IT sinaliza que o ciclo iniciado com a nuvem pública evolui agora para uma estratégia mais ampla de consolidação tecnológica.





