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IA para Todos e defesa pela união de interesses marcam a abertura do MWC 2026

A era da Inteligência Artificial não alcançará seus objetivos se cada país fizer ações isoladas. "O grande caminho para a conectividade foi ser global. O ecossistema de inovação tem de ser global e não isolado", pontuou o diretor Geral da GSMA, Vivek Badrinath.

O MWC 2026 que acontece esta semana em Barcelona começou bem diferente dos últimos anos. Ele não foi aberto pelo presidente da Telefónica – que não está mais à frente do conselho da GSMA ( o novo presidente é da Airtel, Gopal Vittal) ; não teve polarização com big techs ou hiperscalers, mas não faltaram veladas críticas às ações de soberanias de governo em telecomunicações – em especial, a disputa pelo poder político sobre a Inteligência Artificial.

A inteligência artificial, aliás, foi a protagonista da abertura do evento. A presidente da Vodafone, Margherita Della Valle, afirmou que uma nova fronteira está aberta as teles móveis com a era da IA. “É excitante ao pensarmos nas possibilidades de negócios, mas exige muita responsabilidade. Não há como ter a era a IA móvel sem juntar forças e as teles trabalharem juntas. Se cada um for por si, não vai funcionar”, sustentou.

Não por acaso, o diretor geral da GSMA,Vivek Badrinath, que conduziu toda a abertura do MWC 2026, anunciou o programa Open Telco IA, com a expectativa de obter os resultados já conquistados com a iniciativa Open Gateway, lançada há três anos para fomentar o uso compartilhado de APIs.

Quando apresentou o Open Telco IA – no dia 25 de fevereiro – a GSMA criticou o fato de os modelos atuais de Inteligência Artificial não terem a complexidade, a precisão e a confiabilidade exigida pelo setor de telecomunicações. A GSMA também anunciou um Índice de Capacidade de Telecomunicações está sendo disponibilizado para medir o desempenho do modelo em uma variedade de tarefas específicas das operadoras.

Badrinath não poupou as teles das suas próprias deficiências. Falou que é preciso investir mais na migração para as redes 5G Standalone, necessária para a infraestrutura digital exigida pela inteligência artificial e as novas aplicações móveis. No Brasil, o 5G Standalone foi obrigatório, mas as teles mantém os aportes em áreas restritas e de retorno financeiro garantido. Na Europa não é diferente. “Tem de migrar para colher os benefícios da era da IA”, afirmou.


E ao falar da era da Inteligência Artificial, Badrinath fez a crítica velada às ações geopolíticas dos governos. Ele criticou as ações isoladas de soberania digital lembrando que a conectividade só foi ampliada para a população mundial com ações globais e baseadas em padrões. ” Ainda temos 3,4 bilhões de pessoas sem conectividade. Temos de levar IA para todos e o ecossistema global de inovação é que vai permitir ter IA para todos”, pontuou.

Ana Paula Lobo viajou ao MWC 2026 a convite da Huawei Brasil

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