Ericsson: Energia se tornou fator de custo e risco nas operações de telecom
“Energia não é mais apenas uma conta de serviços públicos em segundo plano; é uma restrição sobre quão rápido e quão longe as redes podem escalar”, adverte Bhushan Joshi, diretor de sustentabilidade da Ericsson para as Américas.

A transição para redes de telecomunicações de baixo carbono tornou-se um imperativo estratégico para as operadoras globais, que enfrentam o desafio de expandir a conectividade diante de uma demanda crescente por dados, enquanto tentam conter o consumo de energia e a volatilidade dos custos operacionais. O desafio central é desacoplar o crescimento dos dados do uso de energia e das emissões. Mas o custo e a volatilidade da energia, as emissões de Escopo 3, que respondem pela maior parte da pegada de carbono total das operadoras, e desafios estruturais dentro da própria rede acrescentam dificuldades ao processo.
“A energia tornou-se um dos fatores de custo e risco mais importantes nas operações de telecomunicações. Não é mais apenas uma conta de serviços públicos em segundo plano; é uma restrição sobre quão rápido e quão longe as redes podem escalar”, define Bhushan Joshi, diretor de sustentabilidade da Ericsson para as Américas.
Pesquisas recentes da Ericsson mostram que, sem uma ação direcionada, o consumo de energia da rede pode subir drasticamente até 2030, ao mesmo tempo em que as operadoras enfrentam preços de eletricidade crescentes e mais voláteis. Ao mesmo tempo, a indústria de telefonia móvel compartilha a ambição de alcançar emissões líquidas zero até 2050, e muitas operadoras já estabeleceram metas concretas de curto prazo e objetivos de emissões líquidas zero.
O relatório Mobile Net Zero 2025, da GSMA, observa que, até abril de 2025, 81 operadoras haviam definido ou se comprometido com metas científicas de curto prazo, representando 47% das conexões móveis globais e cerca de dois terços da receita do setor, enquanto 45 operadoras se comprometeram com metas de net zero. Isso cria o desafio de cumprir as expectativas climáticas dentro de prazos relativamente curtos, sob o escrutínio de reguladores, investidores e clientes.
O primeiro passo é entender onde a energia é realmente usada — e cerca de 80% do consumo de energia de uma rede móvel está na rede de acesso via rádio (RAN). “As operadoras precisam focar em quebrar a curva de energia: aumentar o desempenho e a capacidade da rede enquanto controlam o uso de energia. Na prática, isso significa acelerar a substituição de equipamentos de rádio mais antigos e menos eficientes por soluções modernas e mais eficientes, além de evoluir o uso do espectro para arquiteturas baseadas em 5G mais eficientes”, explica Joshi.
Também é preciso tornar as redes mais dinâmicas na forma como usam energia, por meio, por exemplo, de software mais avançados, automação e otimização impulsionada por IA. Do lado da eletricidade, trata-se de combinar ganhos de eficiência energética com uma estratégia de energia de baixo carbono mais clara, buscando energia renovável em contratos de longo prazo, tarifas verdes e, em alguns casos, geração e armazenamento no local. “A transição para operações de baixo carbono é uma jornada de longo prazo que se estende além da conta de luz”, frisa o executivo.
O principal impulsionador do custo de energia é a própria rede, especialmente a rede de acesso móvel ou rede de acesso via rádio (RAN), que responde por cerca de 70% a 80% do consumo de energia da rede móvel. “O desafio é reduzir o uso de energia da RAN, enquanto se expande a cobertura 5G, transporta mais tráfego e mantém a experiência do usuário”, diz.
O ponto de partida é a visibilidade, saber não apenas o total de quilowatts-hora, mas a energia por local, por rádio e por gigabyte de tráfego, e como isso muda ao longo do dia e em diferentes áreas. O próximo passo é a modernização do hardware. “Novos equipamentos de rádio podem oferecer maior desempenho para o mesmo consumo de energia ou transportar mais gigabytes com menos quilowatts-hora. Substituir vários rádios antigos de banda única por rádios multibanda modernos pode reduzir o número de unidades em um local, diminuindo o uso de energia, bem como o tamanho, o peso e a complexidade”, detalha Joshi.
O software de economia de energia é a terceira alavanca. Recursos de software como modos de “suspensão” (sleep modes) permitem que partes da RAN reduzam o consumo de energia quando o tráfego está baixo e retornem à operação total quando a demanda aumenta.
Para fazer isso funcionar em escala, as operadoras confiam cada vez mais em IA e automação. No entanto, os recursos de economia de energia devem ser aplicados com cuidado. “Se forem muito agressivos, podem afetar a cobertura ou o desempenho. Ao usar insights de rede, dados de infraestrutura ativa e passiva (incluindo retificadores, baterias e sistemas de refrigeração) e automação baseada em IA/ML, as operadoras podem decidir quando e onde ativar funções de economia de energia de uma maneira que garanta a experiência do usuário enquanto aumenta as economias”, ressalta o executivo.
A energia da RAN também precisa ser gerenciada com um ciclo de vida mais amplo, o que inclui escolher equipamentos com menor carbono incorporado, projetar soluções menores e mais leves sempre que possível, estender a vida útil dos ativos e combinar o gerenciamento de rede com sistemas inteligentes de energia local.
Para a Ericsson, a energia é uma das maiores e mais controláveis alavancas de custo para os provedores de serviços de comunicações, que, ainda que não possam controlar os preços de atacado da eletricidade, podem influenciar ambos os lados dessa equação por meio de escolhas tecnológicas, design de rede, operações e estratégias de abastecimento.
Como exemplo, o diretor de sustentabilidade da Ericsson para as Américas, Bhushan Joshi, conta que, por meio de uma grande iniciativa de modernização de rede, a AT&T e a Ericsson estão implantando tecnologia de rádio mais eficiente em termos energéticos, capacidades de Open RAN e Cloud RAN, consolidação de rádio multibanda, software avançado e logística otimizada.
De acordo com o estudo de caso da AT&T, ao suportar um crescimento de 96% no volume de tráfego 5G em 2024, a modernização melhorou a eficiência energética da transmissão de dados em cerca de 10% (Wh/GB). As atualizações iniciais dos locais a partir de configurações legadas entregaram melhorias de eficiência energética de até 20%, e os recursos de software entregaram economias de eficiência energética anuais equivalentes a cerca de US$ 28 milhões em 2024.
“Redes energeticamente eficientes podem ser um diferencial competitivo porque ajudam as operadoras a melhorar o desempenho dos negócios, a experiência do cliente e a sustentabilidade ao mesmo tempo”, finaliza Bhushan Joshi.





