
O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, o IRGC, anunciou nesta quarta-feira,11/3, que vai atacar “centros econômicos e bancos” vinculados a entidades dos Estados Unidos e de Israel na região. A ameaça veio em resposta ao que Teerã descreveu como um ataque inimigo a uma instituição financeira iraniana, com o conflito já em seu 12º dia desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. As informações são da Al Jazeera.
Um porta-voz do Quartel-General Khatam al-Anbiya, grupo classificado pela ONU como pertencente ao IRGC, afirmou que “o inimigo deixou nossas mãos livres para atacar centros econômicos e bancos pertencentes aos Estados Unidos e ao regime sionista na região”, acrescentando que “os americanos devem aguardar nossa contramedida e nossa resposta dolorosa”. O comunicado ainda alertou que “as pessoas da região não devem estar a menos de um quilômetro de distância de bancos”.
A agência de notícias Tasnim, afiliada ao IRGC, foi além e divulgou uma lista detalhada de escritórios e infraestruturas de grandes empresas americanas com vínculos israelenses, descrevendo-os como “novos alvos do Irã”. Entre as companhias citadas estão Google, Microsoft, Palantir, IBM, Nvidia e Oracle. Segundo o correspondente da Al Jazeera em Teerã, Maziar Motamedi, os alvos listados incluem escritórios e infraestruturas de serviços em nuvem localizados em diversas cidades israelenses, além de instalações em alguns países do Golfo Pérsico.
A agência justificou a escolha ao afirmar que “à medida que o escopo da guerra regional se expande para uma guerra de infraestrutura, o escopo dos alvos legítimos do Irã também se expande”, argumentando que as tecnologias dessas empresas têm sido utilizadas para fins militares.
Enquanto as ameaças se intensificam, explosões continuaram a sacudir Teerã nesta quarta-feira. O governo iraniano afirma que forças dos EUA e de Israel bombardearam cerca de 10 mil locais civis no país e mataram mais de 1,3 mil civis desde o início da guerra.
O estopim imediato para as novas ameaças foi um ataque israelense na segunda-feira a um edifício no subúrbio sul de Beirute, no Líbano, que seria uma agência da Al-Qard Al-Hassan, instituição financeira ligada ao Hezbollah. A entidade opera como uma espécie de banco informal, oferecendo empréstimos sem juros à população, e faz parte de uma rede de organizações administradas pelo Hezbollah que inclui escolas, hospitais e supermercados populares.





