Telecom

Anatel começa a contar prazo para Spacesail, concorrente chinesa da Starlink, chegar ao Brasil

Autorização começa com 324 satélites, mas empresa já quer dobrar para 648. Plano global é ter 15 mil até 2030.

Com a publicação no Diário Oficial da União desta segunda, 13/4, começa a contar o prazo para a chinesa Spacesail implantar seu sistema de conectividade com satélites de baixa órbita. O lançamento comercial, prometido para este 2026, começou a ser costurado em 2024 e foi anunciado na visita de Lula a Pequim, há um ano.

Oficialmente, a Spacesail terá até dois anos, contados a partir da publicação do ato, para demonstrar entrada em operação, o que exigirá o lançamento de ao menos 10% dos satélites autorizados.

A operação no Brasil está no centro dos planos para a própria estruturação da Shangai Spacesail Technologies. A “constelação Qianfan” começou a ser lançada lá em 2024, com os primeiros 18 satélites. Na semana passada, em 7/4, mais um grupo de satélites foi para órbita, no que agora são 126. A empresa já tem autorização da China, e agora do Brasil, para operar 324 satélites. Mas já indicou que vai em breve dobrar esse número para 648. E o plano é ter cerca de 15 mil até 2030.

No Brasil, pinta como o primeiro concorrente efetivo no mesmo jogo da Starlink, as conexões por meio de constelações gigantes de satélites de baixa órbita (ou LEO, na sigla em inglês). A arquitetura prevê 18 planos orbitais, com satélites a cerca de 1.160 km de altitude e inclinação de 89 graus, o que favorece cobertura ampla, inclusive em regiões remotas. Por enquanto, a empresa do bilionário Elon Musk reina sozinha nesse mercado específico e mordeu 78% das conexões internet via satélite no país.

A Spacesail informou à Anatel que pretende operar pelo menos seis estações de acesso (gateways) no país, incluindo unidades em São Paulo e Brasília, além de um Centro de Operações de Rede (NOC). O ministro das Comunicações, Frederico Siqueira Filho, já tinha revelado que a empresa pretende utilizar parte da estrutura da Telebras, especialmente em sua camada lógica, ainda que sem ocupação física do Centro de Operações Espaciais. Vale lembrar que a vinda da Spacesail nasceu de um memorando de entendimento com a Telebras, lá de 2024.


O povoamento do espaço por centenas, ou milhares, de satélites é novidade também sob o ponto de vista regulatório. Assim como fez com a Starlink, a Anatel autorizou a operação da Spacesail acompanhada de algumas exigências de relatórios sobre a implementação, o status da coordenação com outros sistemas satelitais e eventuais episódios de interferência.

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