A nova plataforma brasileira de inteligência artificial – SoberanIA – foi lançada comercialmente nesta terça-feira, 19/5, em Brasília, já respaldada por uma articulação que reúne o Serpro, a Amazon Web Services, a Claro e o governo do Piauí, em uma tentativa de estruturar uma LLM nacional voltada ao mercado público brasileiro e baseada no conceito de soberania de dados.
Durante o evento, o governador do Piauí, Rafael Fonteles, afirmou que o projeto já recebeu um primeiro convênio de R$ 40 milhões, obtido junto ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), para reforço da capacidade computacional necessária ao treinamento da inteligência artificial.
Segundo Rafael Fonteles, o projeto começou há cerca de dois anos dentro do governo do Piauí, mas acabou sendo transformado em uma iniciativa de alcance nacional, envolvendo pesquisadores de diversos estados e parcerias com empresas públicas e privadas ligadas à infraestrutura computacional e serviços de nuvem.
O governador afirmou que o Serpro já participa da estrutura destinada às aplicações do “SoberanIA”, enquanto a AWS atuou diretamente no treinamento do modelo de linguagem. A Claro e a Oracle também foram citadas como parceiras nas negociações envolvendo infraestrutura e expansão do projeto.
“Para as aplicações do SoberanIA, que nós lançamos comercialmente hoje em Brasília, nós já temos a parceria com o próprio Serpro para garantir infra computacional para essas aplicações”, afirmou o governador.
De acordo com Rafael Fonteles, o treinamento da nova LLM exigirá investimentos permanentes em processamento e armazenamento, principalmente em razão do crescimento contínuo da base de dados utilizada pela plataforma. Segundo ele, o modelo já opera próximo da marca de um trilhão de tokens processados.
“Quanto mais dados tivermos, mais infra computacional será necessária para treinar a IA em cima desses dados”, declarou. O governador procurou rebater questionamentos sobre possíveis contradições entre o discurso de soberania digital e a participação de empresas privadas estrangeiras no projeto.
Segundo ele, o uso de infraestrutura privada dependerá do nível de criticidade dos dados envolvidos em cada aplicação. Para dados considerados sensíveis ou estratégicos, a exigência será de infraestrutura pública e controlada pelo Estado.
“Se o dado for sensível, for crítico, há necessidade de uma infra computacional totalmente pública, ainda que seja adquirida a partir de fornecedores privados”, afirmou.
Durante o lançamento, Rafael Fonteles também afirmou que o projeto busca preencher uma “lacuna” existente no desenvolvimento de inteligência artificial nacional voltada ao setor público, sobretudo em aplicações que exigem tratamento de dados críticos e processamento em português.
Segundo ele, os testes internos realizados até agora indicam desempenho superior da plataforma em avaliações realizadas na língua portuguesa, quando comparada a modelos internacionais treinados majoritariamente em inglês.
A comercialização das soluções deverá ocorrer por meio da Prod, Empresa de Tecnologia da Informação do Piauí (ETIP), estatal de economia mista que poderá atuar diretamente junto a órgãos públicos ou em parceria com distribuidores e marketplaces digitais.
Ao encerrar a apresentação, o governador afirmou que o objetivo é transformar o “SoberanIA” em uma infraestrutura nacional de IA soberana voltada à administração pública brasileira e, futuramente, também aos países de língua portuguesa. “A grande riqueza hoje de um país são os dados e a forma como esses dados são tratados”, afirmou.





