Gotiva lança plataforma de IA jurídica integrada aos sistemas do Judiciário
Tecnologia integra inteligência artificial ao PJe, Projudi, SAJ e e-Proc e reúne análise processual, pesquisa jurídica, geração assistida de documentos, rastreabilidade e mecanismos de governança e proteção de dados

A Gotiva, empresa de tecnologia do Grupo Interjato, lança uma plataforma de inteligência artificial desenvolvida para atuar integrada aos sistemas utilizados pelo Judiciário brasileiro. A solução conecta recursos de IA a ambientes como PJe, Projudi, SAJ e e-Proc e foi criada para apoiar atividades como análise de processos, pesquisa de legislação e jurisprudência, classificação processual e elaboração de documentos jurídicos.
A plataforma será apresentada durante a ExpoJud 2026, realizada de 6 a 8 de outubro, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília. O evento reúne representantes do sistema de Justiça, especialistas e empresas de tecnologia para discutir inovação e transformação digital no setor.
A proposta da Gotiva é ir além do uso isolado de ferramentas de inteligência artificial generativa. A solução funciona como uma camada de inteligência integrada aos processos, documentos e sistemas utilizados pelas instituições, incorporando mecanismos de governança, segurança e memória institucional.
Por meio do Modelo Nacional de Interoperabilidade (MNI), a plataforma se conecta aos principais sistemas processuais utilizados no país. Esta integração permite que a inteligência artificial seja aplicada sobre processos e documentos já existentes no ambiente institucional, reduzindo a necessidade de transferência manual de informações para ferramentas externas.
A tecnologia utiliza arquitetura multimodelo, capaz de trabalhar com diferentes modelos de IA, de acordo com a tarefa a ser executada. A abordagem permite utilizar modelos distintos para funções específicas, como análise documental, pesquisa jurídica, classificação processual e geração assistida de textos, sem vincular toda a operação a uma única tecnologia de IA.
Um dos focos do desenvolvimento da tecnologia foi a rastreabilidade das respostas. Ao realizar perguntas sobre um processo ou conjunto de documentos, o usuário pode receber, além da resposta gerada pela inteligência artificial, a indicação das fontes utilizadas, com referência ao documento, à página e ao trecho correspondente.
A funcionalidade busca enfrentar um dos principais desafios do uso de inteligência artificial em atividades jurídicas: permitir que o profissional confira a fonte das informações apresentadas pelo sistema antes de utilizá-las em sua atividade.
A plataforma Gotiva também permite pesquisar legislação e jurisprudência, analisar documentos em diferentes formatos e apoiar a elaboração de minutas jurídicas. Na classificação processual, a solução pode sugerir classes e assuntos com base nas Tabelas Processuais Unificadas do Conselho Nacional de Justiça.
Segundo Erich Rodrigues, CEO do Grupo Interjato, o objetivo é aproximar a IA das rotinas efetivas das instituições, sem transformar a tecnologia em um ambiente paralelo aos sistemas já utilizados. “Não queremos oferecer apenas uma IA que escreve textos jurídicos. A proposta da Gotiva é construir uma infraestrutura de inteligência artificial para o trabalho jurídico, conectada aos sistemas da instituição e capaz de pesquisar, analisar e produzir com rastreabilidade, governança e memória institucional. Em uma área em que confiança é essencial, o usuário precisa saber não apenas a resposta, mas também de onde ela veio”, afirma o executivo.
Segurança e governança
A proteção das informações utilizadas pela IA também integra toda a arquitetura da plataforma. A Gotiva possui mecanismos de criptografia, controle de acesso, gestão de usuários e registros auditáveis das operações realizadas no sistema.
Quando aplicável, informações pessoais identificadoras – como CPF, RG, endereço, telefone, e-mail e dados bancários – podem ser anonimizadas antes do processamento por modelos externos de inteligência artificial, preservando as informações necessárias para a análise jurídica. Erich Rodrigues enfatiza que os documentos das instituições clientes não são utilizados para treinamento dos modelos de inteligência artificial.
A solução foi desenvolvida considerando os requisitos de proteção de dados, governança, segurança e supervisão humana previstos na legislação brasileira e nas normas aplicáveis ao uso de inteligência artificial no Judiciário, entre elas a Lei Geral de Proteção de Dados e a Resolução CNJ nº 615/2025, em sua redação vigente.
Para Rodrigues, a próxima etapa da adoção de IA pelo sistema de Justiça deverá ser marcada pela integração da tecnologia às rotinas institucionais, em vez do uso de aplicações isoladas. “A inteligência artificial começa a deixar de ser apenas uma ferramenta de consulta ou geração de texto para se tornar parte da infraestrutura de trabalho. Isso exige integração com os sistemas existentes, governança, segurança, controle institucional e capacidade de verificar o que a IA produz. É nesse espaço que estamos posicionando a Gotiva”, afirma.



