Hackers ameaçam Internet no Japão; e onda de ataques PHP obriga empresas a indenizarem usuários
Um dos principais provedores financeiros online do Japão vai pagar indenização de US$ 32 aos seus clientes afetados por ataques no serviço de câmbio. Empresa também disse que hackers exigiram resgate, mas que a companhia não vai pagar.

O GMO Internet Group, um dos principais provedores de serviços financeiros online do Japão, informou que os clientes serão compensados por perdas decorrentes de acessos não autorizados após um ataque cibernético ao seu serviço de negociação de câmbio. Além disso, todos os clientes receberão 5.000 ienes (US$ 32) como um gesto de boa vontade, afirmou o CEO Masatoshi Kumagai em uma postagem em seu blog neste domingo, 25/10.
A ministra japonesa, Sanae Takaichi, afirmou que o governo planeja elaborar um pacote de medidas emergenciais contra ataques cibernéticos até a próxima semana. O governo, aliás, anunciou a criação de uma equipe dedicada a simular ataques cibernéticos com o uso de inteligência artificial (IA), visando identificar vulnerabilidades em sistemas tecnológicos. A iniciativa ocorre em um momento em que organizações buscam mitigar riscos decorrentes de falhas na linguagem de programação PHP, que sustenta grande parte da internet.
Empresas japonesas têm sido duramente atingidas por ataques. Especialistas do setor apontam que a IA está sendo utilizada para automatizar tarefas — desde a busca por vulnerabilidades em software até a criação de campanhas de phishing —, tornando o cibercrime mais rápido, barato e difícil de detectar. “A internet está se transformando, cada vez mais, em uma ferramenta utilizada por agentes mal-intencionados para ameaçar e roubar pessoas”, adicionou o CEO do GMO Group. Na semana passada, sites de governos e empresas no Japão, na Europa e em outras regiões saíram do ar após a revelação de vulnerabilidades críticas na linguagem de programação PHP, o que desencadeou milhões de tentativas de invasão.
Ciberdefesa
Masatoshi Kumagai instou o governo japonês a implementar medidas de defesa em resposta ao ataque cibernético, dando continuidade à implantação de um sistema de ciberdefesa recém-iniciada. “Agora é o momento de os setores público e privado trabalharem juntos para proteger o Japão”, escreveu Kumagai.
A GMO informou que recebeu uma exigência de pagamento de resgate por parte de um grupo que, acredita-se, esteja por trás do ataque, acompanhada da ameaça de divulgar informações da empresa e de seus clientes caso a exigência não fosse atendida. Em uma atualização feita nesta segunda-feira, 26/10, em seu blog, Kumagai afirmou que os responsáveis pelo ataque exigiram US$ 50 milhões em criptomoedas.
A empresa não vai atender a exigência e tratará do incidente em coordenação com a polícia e outras autoridades. A empresa não mencionou qualquer relação com falhas no PHP. A companhia, que oferecerá um serviço alternativo gratuito aos seus clientes por seis meses, informou que, no momento, não é possível calcular o impacto nos resultados financeiros decorrente dos pagamentos de compensação e indenizações por perdas.
*Com informações da Agência Reuters



