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Câmara aprova urgência do Redata, mas data centers reclamam do custo para importação

Governo sustenta aumento do imposto de importação de bens de TICs para proteger indústria nacional, mas empresas questionam sinal trocado com incentivos do Redata.

A Câmara dos Deputados aprovou na noite de terça, 10/2, requerimento de urgência para o Projeto de Lei 278/26, que institui o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center, Redata. O objetivo é tentar acelerar a tramitação da proposta, de forma que o texto seja analisado diretamente em Plenário, diante do fim da vigência da Medida Provisória 1.318/25, que atualmente disciplina o tema e perde eficácia no próximo 26 de fevereiro.

O projeto foi apresentado pelo líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), como alternativa à MP do Redata, diante da não instalação da comissão mista responsável por analisá-la e do calendário legislativo encurtado pelo recesso parlamentar e pelo Carnaval. O texto reproduz, em grande parte, o conteúdo da medida provisória, prevendo a suspensão de tributos na aquisição nacional ou importação de equipamentos de tecnologia da informação e comunicação destinados ao ativo imobilizado de data centers, incluindo Imposto de Importação, para bens sem similar nacional, IPI e contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins. Após o cumprimento das obrigações previstas, a suspensão poderá ser convertida em alíquota zero.

Para o presidente da Associação Brasileira de Data Center (ABDC), Renan Lima Alves, a aprovação do regime de urgência sinaliza prioridade política ao tema. “Ao avançar com o regime de urgência, a Câmara envia uma sinalização clara ao mercado e aos investidores de que reconhece a importância estratégica da infraestrutura digital para o desenvolvimento econômico, tecnológico e regional do país, reforçando o papel do Brasil na disputa global por investimentos em data centers”, afirmou.

O debate ocorre em paralelo a preocupações do setor com a recente decisão do Comitê de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) de elevar alíquotas de importação para bens de capital e de tecnologia da informação. Empresas argumentam que a medida pode aumentar o custo de implantação de data centers em um ambiente já considerado oneroso. Segundo estimativas do mercado, o custo de processamento de dados no Brasil é entre 20% e 30% superior à média internacional. A construção de um data center Tier III de 5 MW, por exemplo, custaria cerca de R$ 266 milhões no país, ante R$ 197 milhões no Chile, R$ 165 milhões na Colômbia e R$ 126 milhões na Argentina.

Na avaliação de representantes da indústria, a elevação tarifária pode encarecer investimentos, prolongar cronogramas e reduzir a competitividade brasileira na atração de projetos globais de infraestrutura digital. O setor também aponta que o déficit brasileiro em serviços de computação e informação alcançou US$ 7,6 bilhões em 2025, indicando maior dependência externa de capacidade de processamento.


O governo, por sua vez, sustenta que a defesa da indústria nacional é legítima e que o próprio Redata cria mecanismos para fortalecer a cadeia produtiva local ao estimular a demanda por equipamentos e infraestrutura tecnológica. A expectativa é que a expansão do mercado de data centers impulsione a produção nacional de servidores, sistemas de armazenamento, equipamentos elétricos e soluções de refrigeração, além de gerar efeitos indiretos em setores como telecomunicações e energia.

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