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China cria a ONU voltada para Inteligência Artificial. Brasil participa do lançamento

Organização, batizada de WAICO, quer ocupar a lacuna para se tornar o fórum de governança mundial de IA. Diferencial é a abertura aos países para o Sul Global e com prioridade ao ecossistema aberto. Surge um novo capítulo na briga China x Estados Unidos.

O cenário geopolítico da Inteligência Artificial se acirra. A China vai lançar durante a Waic (Conferência Mundial de Inteligência Artificial), que acontece em Xangai entre 17 e 20 de julho, a Waico — Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial —, sua aposta mais ambiciosa para ocupar o centro da governança global sobre IA. O evento terá a participação oficial do Brasil, por meio do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI),

A Waico tem um propósito: ocupar uma lacuna para se firmar como fórum de governança mundial de inteligência artificial. Não é uma tarefa simples. Há outras ações avançando, mas nenhuma conseguiu se consolidar. A Waico complementa uma iniciativa da própria China, em 2023, como uma declaração de apelo à colaboração internacional para desenvolver, compartilhar conhecimento e disponibilizar tecnologias de IA de forma ampla. A intenção é que a Waico funcione nos moldes da ONU, inclusive com secretário-geral com mandato de três anos.

A diferença agora é o salto de declaração política para estrutura formal, com sede definida em Xangai — cidade escolhida por já concentrar um ecossistema denso de empresas de IA e multinacionais, o que funciona como ambiente de teste para qualquer proposta de governança que a organização venha a defender. O acordo da Waico está aberto para assinatura até o dia 31 de julho.

Atualmente as principais organizações internacionais de governança de IA — como a GPAI (Parceria Global sobre IA), os Princípios de IA da OCDE, a Convenção de IA do Conselho da Europa e o Processo G7 de Hiroshima — têm caráter mais restritivo, funcionando, na prática, como um clube fechado das economias mais desenvolvidas.

A China se propõe a fazer diferente. Quer uma organização mais aberta aos países que ficaram de fora da primeira onda de desenvolvimento em IA, posicionando a Waico simultaneamente como plataforma de inclusão para o Sul Global e como palco central das discussões mais relevantes sobre o futuro da tecnologia.


A postura chinesa tem um viés. Trata-se da disputa geopolítica em torno de marcos regulatórios para a inteligência artificial. E como tudo é dinheiro, em janeiro, o Fórum Econômico Mundial estimou que a inteligência artificial pode contribuir com até 14% do PIB global até 2030 — o equivalente a cerca de US$ 15,7 trilhões.

Em nota oficial, o governo brasileiro confirmou a participação no lançamento da Waico, projeta estimular a cooperação científica e tecnológica em IA, inclusive em ecossistemas de código aberto, e manter articulação com processos e organismos internacionais relevantes, em particular no âmbito das Nações Unidas.

Ressalta que a “participação brasileira, com atuação do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), insere-se no acompanhamento dos debates internacionais sobre governança da inteligência artificial e na participação em mecanismos multilaterais de cooperação tecnológica. O processo de adesão do Brasil observará os procedimentos internos aplicáveis, inclusive quanto à eventual ratificação do acordo constitutivo.”

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