Compra do supercomputador de R$ 1 bilhão do governo para IA fica para 2027
A suspensão da audiência pública para tratar sobra a aquisição, agendada para dia 04 de novembro, praticamente empurra a apresentação das propostas para 2027. A compra tem questões complexas envolvidas entre elas a proteção à indústria nacional.

O governo federal caminha para encerrar 2026 sem conseguir contratar o supercomputador de quase R$ 1 bilhão anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um dos principais investimentos do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). A aquisição, conduzida pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), por intermédio da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Computação Científica (FACC), sofreu um novo adiamento e, agora, depende de outra revisão do edital, sem data definida para a abertura das propostas.
A suspensão foi formalizada em 29 de outubro, quando a FACC decidiu cancelar a sessão prevista para esta quarta-feira (04) e determinou a consolidação das especificações técnicas. O documento estabelece que, após a republicação, deverá ser reaberto integralmente o prazo de 35 dias úteis para apresentação das propostas. Na prática, a medida empurra a escolha do fornecedor para 2027, salvo uma antecipação excepcional do calendário, ainda não anunciada.
O adiamento ocorre menos de três meses depois de Lula anunciar, em 20 de agosto, a instalação do equipamento no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, em Macaíba, na região metropolitana de Natal, no Rio Grande do Norte. A infraestrutura será destinada ao treinamento e à operação de grandes modelos de inteligência artificial, com capacidade de atender órgãos públicos, universidades, centros de pesquisa e empresas brasileiras. O LNCC, sediado em Petrópolis, continuará responsável pela condução técnica do projeto. Serviços e Informações do Brasil
A Seleção Pública nº 27/2026 tem valor estimado de R$ 959.040.959,04, financiado por recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), por meio da Finep. O convênio nº 01.26.0518.00 prevê R$ 960 milhões e tem vigência até agosto de 2030. O governo apresentou o projeto como parte de um conjunto mais amplo de investimentos em infraestrutura nacional de IA, estimado em R$ 2,3 bilhões.
O novo adiamento teria como justificativa a necessidade de alterações substanciais nas condições da contratação, incluindo mudanças na metodologia de avaliação das propostas, novas exigências relacionadas à produção nacional, revisão de testes de desempenho e ajustes nas obrigações dos fornecedores.
O edital original estabelecia julgamento por técnica e preço, com peso de 70% para a avaliação técnica e 30% para o preço. A Errata nº 01 modificou essa composição para atribuir 70% à técnica, 20% à produção nacional e apenas 10% ao preço. A mudança aumenta significativamente a importância dos requisitos tecnológicos e industriais na escolha do fornecedor, reduzindo o peso relativo da proposta financeiramente mais barata.
Também há dúvidas com relação ao Termo de Referência, que admite até 520 dias para entrega, enquanto os critérios de pontuação estabelecem 360 dias como prazo desejável, com perda da pontuação específica para propostas que ultrapassem esse limite. A errata também introduziu redações que precisam ser compatibilizadas para esclarecer como serão avaliadas propostas com prazos entre 361 e 520 dias. Essa questão ganha relevância diante do novo adiamento. Se a contratação ocorrer apenas em 2027 e o fornecedor utilizar o prazo máximo de 520 dias, a entrega poderá avançar para 2028 ou mesmo 2029, dependendo da data de assinatura.



