Governo libera R$ 15 bilhões e põe eletrônicos no pacote de apoio por tarifaço e guerra
Plano Brasil Soberano tem linhas para capital de giro, produção para exportação, aquisição de bens de capital e investimentos em inovação tecnológica.

O BNDES abrirá, em até 30 dias, novas linhas de crédito do Plano Brasil Soberano, com R$ 15 bilhões adicionais voltados ao fortalecimento da indústria exportadora brasileira — com destaque para o setor de eletrônicos e tecnologia. A liberação foi viabilizada após o Conselho Monetário Nacional aprovar, na quinta, 16/4, a resolução que estabelece as condições das operações.
O anúncio foi detalhado em Brasília pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin, que destacou o foco da medida em empresas impactadas por tensões comerciais e geopolíticas. Segundo ele, o programa busca mitigar efeitos de barreiras tarifárias, como as impostas pelos Estados Unidos, e dificuldades de exportação para regiões como o Oriente Médio.
Entre os setores prioritários, ganham protagonismo as indústrias de tecnologia e eletrônicos, consideradas estratégicas tanto pelo déficit na balança comercial quanto pelo papel na transição digital e produtiva do país. O pacote inclui empresas de máquinas, equipamentos eletrônicos e informática, além de segmentos como químico, farmacêutico e automotivo.
O segundo grupo de beneficiários — considerado o mais relevante do ponto de vista tecnológico — inclui empresas de média-alta e alta intensidade tecnológica. Nesse grupo, estão fabricantes de equipamentos eletrônicos, dispositivos de informática e componentes, que poderão acessar crédito para modernização produtiva, inovação e ampliação de capacidade.
As regras, definidas em portaria conjunta do Ministério do Desenvolvimento Indústria Comércio e Serviços e do Ministério da Fazenda, estabelecem três grupos elegíveis: empresas exportadoras afetadas por tarifas dos EUA, especialmente dos setores de base industrial, indústrias estratégicas de diferentes níveis tecnológicos — com destaque para eletrônicos, TI e máquinas, e exportadoras com forte atuação em mercados do Oriente Médio.
O plano prevê diferentes modalidades de financiamento, incluindo capital de giro, produção para exportação, aquisição de bens de capital e investimentos em inovação tecnológica — ponto crucial para empresas de eletrônicos.
As taxas variam conforme o tipo de operação e a forma de contratação. No acesso direto ao BNDES, os juros vão de 0,94% ao mês (investimento) a 1,28% ao mês (giro para grandes empresas). Já nas operações indiretas, os percentuais sobem levemente, chegando a 1,41% ao mês.
Os prazos também variam: até cinco anos para capital de giro e até 20 anos para investimentos estruturantes, com carência de até quatro anos — um horizonte considerado relevante para projetos industriais de maior complexidade, como os de tecnologia.





