GSI dá status ao gestor de segurança e esvazia papel da TI no combate aos crimes cibernéticos
Órgãos da Administração Federal terão 60 dias para implementar as diretrizes da Instrução Normativa nº9, publicada no Diário Oficial da União. Nova função surge no momento em que se debate dar à Anatel maior status na cibersegurança nacional.

O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República publicou nesta sexta-feira, 9/1, a Instrução Normativa GSI/PR nº 9, de 8 de janeiro de 2026, que, na prática, eleva o gestor de segurança da informação ao patamar de função estratégica de Estado. A designação passa a exigir vínculo efetivo com o serviço público civil ou militar e ocupação de cargo comissionado executivo de alto nível ou posto de oficial general.
Ponto importante da IN: ela veda que o responsável pela área de tecnologia da informação, ou seus subordinados, acumulem a função, rompendo com um modelo historicamente dominado pela lógica operacional da TI e reposicionando a segurança da informação como atividade de governança, risco e controle.
A delimitação está escrita na norma: “O responsável pela unidade de tecnologia da informação deverá colaborar e fornecer os subsídios necessários ao Gestor de Segurança da Informação para a execução de suas competências.” O ponto crítico a ser avaliado mais à frente: O prazo para a designação dos gestores de segurança da informação será de 60 (sessenta) dias corridos após a data da publicação desta Instrução Normativa.
Caberá ao gestor de segurança da informação fazer avaliações de risco e análise de impacto antes da adoção de tecnologias emergentes; o planejamento e a proposição de recursos orçamentários específicos, o acompanhamento das equipes de prevenção e resposta a incidentes cibernéticos e a atuação como segunda linha de defesa no âmbito do sistema de controle interno. O gestor também assume papel ativo na avaliação de conformidade com a Política Nacional de Segurança da Informação e no apoio a auditorias internas e externas.
O movimento do GSI ocorre ao mesmo tempo que o governo quer nomear a Anatel como autoridade provisória para funções relacionadas à segurança cibernética no âmbito das redes e serviços de telecomunicações, decisão que recolocou a Anatel no centro do debate sobre a arquitetura nacional de defesa cibernética.





