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Lightera: Sem política industrial clara, Brasil perde a corrida do mercado de data center

Empresa global de fibra óptica da Furukawa tem um chairman e CEO brasileiro, Foad Shaikhzadeh. Ele prefere ‘deixar a poeira baixar e esperar a lista de exceções’ para comentar o tarifaço imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

O mercado de dados foi dominado pelos hyperscalers e até mesmo as operadoras de telecomunicações estão em um patamar abaixo e são eles – Google, AWS, Azzure e Meta- que definem os rumos atuais do setor, admitiu o brasileiro Foad Shaikhzadeh, chairman e CEO da Lightera, que unifica as operações de fibra óptica do Grupo Furukawa.

O executivo está nos Estados Unidos para marcar o lançamento oficial da Lightera na OFC Conference, em São Francisco, California (EUA) e falou do impacto da nova marca no Brasil e no mundo aos jornalistas. Antes de qualquer coisa, Shaikhzadeh mandou um recado aos concorrentes: a empresa é do grupo Furukawa e não foi comprada por ninguém. “Estamos mais fortes por sermos globais”, disse.

Na prática, a Lightera – assim batizada porque o nome simboliza uma nova era impulsionada pela luz- vai operar por meio das divisões regionais: América do Norte (NAR), LATAM/EMEA, Ásia Pacífico (APAC) e a operação global de Specialty Photonics, focada em aplicações especiais de fibra, incluindo fibra submarina. “Google e Meta falam em petabytes nos cabos submarinos e toda a capacidade ficará para eles. Não há rede neutra nessa batalha da fibra submarina”. reforça.

Com relação ao Brasil, Shaikhzadeh diz que se o país quer ter um lugar de destaque no ranking global de data center, a hora é de agir rápido. “O Brasil representa de 2 a 3% do mercado de data center. É muito pouco. Vai precisar provar que tem energia e conectividade disponível para atrair os hyperscalers”, observa. E isso passa por definir de forma clara a política industrial do país.

“O Brasil quer produzir ou quer ficar importando produtos porque é mais barato? A concorrência predatória já acontece e já prejudicou muito. A Lightera tem capacidade de fabricar cabos de alta densidade em Curitiba, mas não tem demanda. Queremos produzir muito no Brasil para o Brasil, mas se tivermos de produzir para exportação, vamos produzir”, observou.


Sobre o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump, Foad Shaikhzadeh diz que a reação está bem forte nos Estados Unidos e admite que há impactos, uma vez que a Lightera tem matriz no Japão, e a alíquota imposta ao país foi de 24%. A Europa também foi penalizada, assim como, o México, países onde há operações da companhia. Nesse cenário, a taxa de 10% dada ao Brasil é vista como ‘razoável’. “É claro que temos de deixar baixar a poeira e esperar a lista de exceções. Mas o Brasil pode sim se beneficiar nas compras externas. Mas ainda é cedo para dar um diagnóstico preciso”, completou o executivo.

Provedores Internet

Foad Shaikzadeh deixou claro que os provedores Internet e as próprias teles vão ter de refazer suas infraestruturas por terem apostado em produtos de baixa qualidade. “Houve muita compra barata e há muita conexão tendo de ser refeita porque o produto barato não aguentou”, disse o executivo, referindo-se aos produtos asiáticos e chineses. Para o chairman e CEO da Lightera, os ISPs seguem tendo uma unidade de atenção, mas os hyperscalers são prioridade. Sobre as redes privativas em 4G, ele diz que a maioria dos projetos é baseado em fibra e não houve ainda a necessidade de atuar com o 5G.

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