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Nvidia aposta que robôs humanoides serão realidade rapidamente

“O ser humano será o orquestrador. E mais breve do que se pensa, todos terão seu humanoide trabalhando junto", diz o gerente de contas da empresa no Brasil, Alaor Neto.

A aposta da NVIDIA é que, em um futuro mais próximo do que se imagina, cada pessoa terá seu próprio robô humanoide trabalhando ao seu lado. A previsão foi feita durante o Tech Gov Fórum MT, realizado em 3 de março, em Cuiabá, pela Network Eventos, em meio a um debate sobre transformação digital no setor público.

Como destacou Alaor Neto, Enterprise Sales Account Manager da NVIDIA, a trajetória da companhia ajuda a explicar essa visão. Segundo ele, a primeira vertical da empresa foi a de games, quando desenvolveu as GPUs e criou o ecossistema de software que incluiu a plataforma de programação Cuda. “A gente começou desenvolvendo hardware, mas em cima dele construímos todo um ecossistema de software”, disse. O modelo foi expandido para áreas como educação superior e high performance computing, até chegar ao setor público, hoje sob sua responsabilidade.

Para o executivo, a IA deve ser entendida como ferramenta e não como produto final. Ele citou aplicações que vão do prompt a avatares inteligentes e personalizados, capazes de adaptar respostas ao perfil do interlocutor. Também defendeu que o uso de dados exige preparo e catalogação adequados. “Se entrou sujeira e você não tratou, só vai aumentar a sujeira”, afirmou, mencionando o risco de decisões baseadas em dados mal estruturados.

Alaor disse que todos serão impactados pela inteligência artificial e que a discussão sobre perda de empregos deve ser relativizada. “A IA não vai tomar o emprego. Vai tomar o emprego de quem não usa IA.” Ele prevê um cenário em que profissionais terão múltiplos agentes especializados trabalhando 24 horas por dia, sempre com supervisão humana. “O ser humano será o orquestrador.” Mais adiante, acrescentou, virá a chamada IA física. “Mais breve do que vocês pensam, todo mundo vai estar com seu humanoide trabalhando junto.”

Se do lado da indústria a ênfase está nas plataformas, no Judiciário mato-grossense o foco tem sido governança. Coordenadora de TI do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Márcia Regina de Carvalho Buhr lembrou que a virada começou em 2015, com o Processo Judicial Eletrônico. A pandemia acelerou mudanças, mas o aprendizado foi claro. “A tecnologia por si só não vai fazer a diferença.” Segundo ela, é preciso integrar pessoas, processos, alta administração e olhar para o cidadão como cliente final.


No Tribunal de Contas do Estado, o desafio também foi cultural. O secretário executivo de TI do TCE-MT, Reginaldo Hugo dos Santos, afirmou que não basta investir em tecnologia se a alta direção não estiver convencida de sua importância. “Não é um custo. É uma ferramenta para facilitar a vida do jurisdicionado.” Ele destacou iniciativas como um MBA voltado a mais de mil gestores municipais, com disciplinas de IA e governança, para aproximar o órgão de controle dos gestores na ponta.

A dimensão cultural foi reforçada pelo secretário adjunto de Planejamento e Governo Digital da Secretaria de Planejamento e Gestão de Mato Grosso, Sandro Luís Brandão Campos. Para ele, a tecnologia não é o problema, já que os estados contam com grandes fornecedores. O entrave está na mudança institucional. Ele costuma destacar mais a palavra transformação do que o termo digital. “Se você não coloca o cidadão no centro, você só está digitalizando a burocracia.”

Sandro lembrou que Mato Grosso incluiu o digital como eixo estratégico no plano plurianual, ao lado de áreas como social, econômico e ambiental. A centralização de serviços em um aplicativo único busca evitar que o cidadão tenha de navegar por múltiplos portais. Ainda assim, reconheceu resistência interna. “O grande desafio é cultural, é convencer e gerar confiança.”

A integração de dados foi apontada como outro pilar essencial. Diretor comercial da Tecnisys, Evanor Dourado afirmou que transformação digital se sustenta em três bases: pessoas, processos e tecnologia. Ele citou projetos em instituições como Banco do Brasil e BRB para ilustrar a importância de plataformas capazes de transacionar, catalogar e democratizar dados.

Segundo Dourado, business intelligence já se tornou commodity. O diferencial está na qualidade e governança da informação. “Se o dado estiver errado, vai sair um resultado bonito também, mas não necessariamente é a resposta que você quer.” Para ele, integrar silos e estabelecer um dado único confiável é condição para que a IA entregue valor real.

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