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Telebras: Escolas conectadas, data center e satélite dominam agenda do novo presidente

Hermano Albuquerque diz que ano é de entregas, mas sem esquecer que empresa precisa de receitas para sair da dependência do governo.

A Telebras entrou em 2026 projetando um ciclo de entregas estratégicas e expansão tecnológica, com planos de contratação de um novo satélite, atualização de sua rede de fibras ópticas e monetização de serviços digitais, incluindo o data center já em operação. Ao assumir a presidência da estatal nesta quarta-feira, 21 de janeiro, Hermano Albuquerque afirmou que o momento combina autonomia financeira e demanda reprimida por infraestrutura crítica no país. “Será um ano financeiramente muito bom para a Telebras”, afirmou, destacando que a empresa terá caixa para ampliar capacidade e renovar ativos essenciais.

Segundo números apresentados pelo ministro das Comunicações, Frederico Siqueira Filho, ele mesmo ex-presidente da Telebras, a estatal fechou o terceiro trimestre de 2025 com receitas próximas a R$ 330 milhões. “E esperamos um quarto trimestre ainda melhor”, afirmou o ministro. Ele repetiu a perspectiva de que a empresa passe a operar com lucro em dois anos.

Novas receitas são fundamentais, especialmente diante da renovação das redes. O novo presidente Hermano Albuquerque reconheceu que a estatal precisa modernizar a rede física e acelerar a definição de uma solução para o pós-SGDC. “O satélite também é algo que a gente precisa dar atenção. Todo satélite tem um prazo de vida útil. A Telebras precisa rapidamente pensar em novas tecnologias, sejam de média órbita, sejam de baixa órbita”, disse. Ele afirmou que a missão envolve parcerias, e não um projeto conduzido de forma isolada. “A gente tem capital para investir, mas vai precisar dos nossos parceiros que nos ajudem em toda essa ampliação da rede física e da rede satélite.”

Para o novo presidente da estatal, os movimentos são fundamentais em uma nova realidade de serviços públicos, na qual as telecomunicações assumiram um papel preponderante. “Durante muitos anos, analistas e líderes de mercado acreditavam que todo governo tinha que focar em três grandes pilares: saúde, educação e segurança. Mas isso era quando as tecnologias não tinham um papel tão preponderante e estratégico. Hoje, existe um quarto pilar igualmente importante e igualmente estratégico para o nosso país e para todo o governo: as telecomunicações. Sem elas não existe educação pública de qualidade, nem saúde pública de qualidade ou segurança pública de qualidade.”

A estatal também prepara a ampliação de sua participação em serviços digitais, beneficiada pela infraestrutura instalada que não vem sendo plenamente monetizada. Albuquerque citou o data center da empresa como um dos ativos mais promissores em um ambiente de forte expansão da demanda impulsionada por inteligência artificial. “Olha o tamanho da demanda para data center no Brasil. Todos estão tentando implementar novos data centers e não conseguem disponibilidade de terreno ou de energia elétrica. Isso mostra a grande oportunidade que a gente tem de monetizar o data center da Telebras.” Segundo ele, o ativo foi construído com capacidade de expansão e não exigirá investimentos adicionais significativos para começar a ofertar novos serviços.


O novo presidente afirmou que a Telebras vive um momento de transição para a sustentabilidade financeira, deixando a dependência total do orçamento federal. “Ela está numa fase de transição para garantir que ela mesma possa administrar os seus recursos e fazer seus próprios investimentos”, disse, classificando o movimento como estratégico para o futuro da estatal. “No mundo digital, você tem a possibilidade de oferecer diversos serviços agregados em cima da rede Telebras. Isso abre um novo rumo para ampliar receita.”

Mesmo assumindo um discurso de inovação, o presidente da Telebras reforçou que 2026 será marcado pela conclusão de compromissos públicos já firmados. “Não podemos esquecer dos projetos com os quais nos comprometemos com o governo federal, com o Ministério das Comunicações, com as escolas e com as comunidades que precisam de serviços públicos”, afirmou. O dirigente ressaltou que o país “tem pressa” e que o calendário é apertado. “Antes que a gente pense em inovação, a gente tem que concluir os projetos que nós temos com firmeza, com garantia e com eficiência. Nós não vamos desviar da nossa meta.”

Para Albuquerque, a Telebras mantém uma função estratégica na infraestrutura nacional, ainda que divida o espaço com operadoras privadas. “Não conseguiremos oferecer serviços básicos para a nossa população se nós não tivermos uma infraestrutura eficiente. Nenhuma empresa sozinha consegue cumprir essa missão de atender o Brasil.”

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