
A Telebras encerrou 2025 com lucro pela primeira vez desde que foi recriada em 2010, marcando uma virada nos resultados da companhia após anos de prejuízo. O desempenho foi impulsionado pelo crescimento da receita, melhora dos indicadores operacionais e maior previsibilidade orçamentária, ainda que fortemente apoiado por subvenções públicas.
No acumulado do ano, a estatal registrou lucro líquido de R$ 140,5 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 66,6 milhões contabilizado em 2024. Considerando apenas o resultado recorrente, sem efeitos extraordinários como o superávit da Sistel e outros ajustes não operacionais, a empresa também apresentou resultado positivo de R$ 40,6 milhões, frente a um prejuízo recorrente de R$ 255,1 milhões no exercício anterior.
A receita operacional líquida atingiu R$ 491 milhões em 2025, um crescimento de 18,5% em relação aos R$ 414,3 milhões registrados em 2024. No quarto trimestre, o avanço foi ainda mais expressivo, com alta de 22% na comparação anual, totalizando R$ 160,6 milhões. O desempenho reflete a ampliação da prestação de serviços, especialmente com a entrada de novos clientes e reajustes contratuais, além do controle das despesas operacionais.
O EBITDA ajustado somou R$ 373,2 milhões, avanço de 292,4% em relação ao ano anterior, indicando melhora relevante na geração operacional de caixa. Esse resultado foi favorecido tanto pelo crescimento das receitas quanto pelo aumento de custos e despesas em ritmo inferior, além de uma melhora no resultado financeiro.
Apesar da evolução, o balanço evidencia a dependência de recursos públicos. As subvenções orçamentárias somaram R$ 406,9 milhões em 2025, uma alta de 156,9%, e tiveram papel decisivo para a rentabilidade. Sem esses aportes, o EBITDA ajustado teria sido negativo em R$ 33,7 milhões.
A receita foi puxada principalmente pelo Serviço de Comunicação Multimídia, que alcançou R$ 432,5 milhões, crescimento de 21,5% em relação a 2024, impulsionado pela expansão da base de clientes e por reajustes em contratos, especialmente no âmbito do programa Gesac. Já a locação de capacidade satelital permaneceu estável em R$ 36,5 milhões, enquanto as receitas com aluguéis e outras locações cresceram 5,4%, somando R$ 28,4 milhões.
O segmento de serviços de valor adicionado também ganhou relevância, com receita de R$ 26,4 milhões, alta de 31,9%, refletindo a ampliação do portfólio. Por outro lado, as receitas de compartilhamento caíram 23,6%, totalizando R$ 10,4 milhões, impactadas pela redução de repasses da parceira Viasat.
Outro fator relevante para o desempenho foi o contrato de gestão firmado entre a Telebras e a União, por meio do Ministério das Comunicações, com acompanhamento do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. O acordo trouxe maior previsibilidade orçamentária e ampliou a capacidade de execução da empresa, contribuindo para a sustentabilidade econômico-financeira.





