Inteligência artificial vira alerta de privacidade em 95% das empresas no Brasil
Estudo da Cisco em 12 países indica que as organizações brasileiras são as que mais ampliaram programas de privacidade por conta da IA.

A adoção de inteligência artificial está acelerando a expansão de programas de privacidade de dados nas empresas brasileiras, segundo o Data and Privacy Benchmark Study 2026, divulgado pela Cisco. No Brasil, 95% das organizações afirmam ter ampliado seus programas de privacidade por causa da IA, acima da média global de 90%, e 91% planejam aumentar investimentos na área, indicador próximo ao índice global de 93%.
O estudo ouviu cerca de 5.200 profissionais de tecnologia, segurança e privacidade em 12 países, incluindo o Brasil, e aponta a IA como o principal fator de transformação da governança de dados nas organizações. A demanda por dados para treinamento e operação de sistemas de inteligência artificial está pressionando estruturas de governança e evidenciando limitações na gestão da informação.
Entre as empresas brasileiras, 73% relatam dificuldade para acessar dados relevantes e de alta qualidade de forma eficiente, acima da média global de 65%. O resultado indica desafios relacionados à organização, classificação e supervisão de dados necessários para o uso de IA em escala.
O levantamento também mostra que a privacidade passou a ser associada diretamente à inovação e à confiança em serviços digitais. No Brasil, 98% das organizações afirmam que estruturas de privacidade contribuem para a agilidade e inovação em IA, enquanto 97% dizem que a privacidade é essencial para a confiança do cliente em aplicações baseadas em inteligência artificial. No cenário global, esses índices são de 96% e 95%, respectivamente.
Segundo o estudo, a governança de dados está deixando de ser vista apenas como exigência regulatória e passa a integrar a estratégia de negócios. Globalmente, 99% das organizações relatam benefícios concretos de iniciativas de privacidade, como ganhos de eficiência operacional e maior fidelização de clientes. No Brasil, 57% apontam a comunicação clara sobre coleta e uso de dados como o principal fator para gerar confiança, acima da média global de 46%.
Apesar da expansão dos programas de privacidade, a governança de IA ainda está em fase de consolidação. Três em cada quatro organizações no mundo dizem possuir estruturas dedicadas à governança de inteligência artificial, mas apenas 12% as consideram maduras. No Brasil, esse percentual chega a 20%.
A pesquisa também identifica impactos crescentes das exigências de localização de dados. A demanda por armazenamento local de dados foi citada por 88% das organizações brasileiras, acima da média global de 81%. Ao mesmo tempo, 85% das empresas no Brasil e no mundo afirmam que a localização de dados aumenta custos, riscos e complexidade em serviços internacionais, e 77% dizem que essas exigências limitam a oferta de serviços contínuos entre países.
Nesse contexto, cresce o apoio a regras internacionais para transferência de dados. No Brasil, 76% das organizações defendem maior harmonização regulatória, enquanto globalmente esse índice chega a 83%. O estudo aponta que empresas multinacionais tendem a preferir fornecedores de tecnologia com presença internacional, considerados mais capazes de gerenciar fluxos de dados entre diferentes jurisdições.
Os resultados indicam que a expansão da inteligência artificial está levando empresas a integrar privacidade, governança de dados e segurança digital como parte da estratégia de transformação tecnológica. De acordo com o levantamento, a capacidade de estruturar dados, garantir transparência no uso das informações e estabelecer mecanismos de governança será determinante para a adoção de IA em escala nas organizações.





