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Na Samsung, 40 mil cruzam os braços para cobrar 15% dos lucros com inteligência artificial

Trabalhadores querem bônus semelhantes à SK Hynix, especialmente após a Samsung divulgar lucro recorde acima da rival.

Na maior paralisação da história da Samsung, cerca de 40 mil trabalhadores fizeram uma manifestação nesta quinta, 23/4, no complexo de semicondutores de Pyeongtaek, na Coreia do Sul, para pressionar a empresa por melhores salários e bônus em meio ao ciclo de alta impulsionado pela inteligência artificial.

No centro da insatisfação está a diferença de remuneração entre a empresa a principal rival, a SK Hynix, que recentemente reportou resultados recordes e já atendeu a demandas semelhantes de seu sindicato.

Juntas, Samsung e SK Hynix respondem por aproximadamente dois terços da produção global dos chips de memória. No início do mês, a Samsung projetou lucro operacional recorde de 57,2 trilhões de won (R$ 190 bilhões) no primeiro trimestre, superando os 37,6 trilhões de won (R$ 126 bilhões) reportados pela concorrente, embora a empresa tenha operações mais diversificadas, incluindo smartphones e eletrônicos de consumo.

Apesar do desempenho financeiro, o sindicato da Samsung, que representa cerca de 74 mil trabalhadores, afirma que a empresa não apresentou propostas de compensação compatíveis com os resultados. A entidade rejeitou a oferta de bônus baseada em ações restritas e exige o fim dos tetos para remuneração variável.

Segundo o sindicato da Samsung, um funcionário da divisão de chips com salário base de 76 milhões de won por ano (R$ 250 mil) receberia metade disso, cerca de 38 milhões de won, em bônus em 2025, o que, apontam, é menos de um terço do valor pago a um empregado com remuneração equivalente na SK Hynix.


A comparação ganhou força após a concorrente aceitar, em setembro, mudanças no modelo de compensação, incluindo bônus mais robustos e a eliminação do teto para pagamentos variáveis. A decisão intensificou a frustração entre os trabalhadores da Samsung e impulsionou a sindicalização, que já supera 90 mil membros, mais de 70% da força de trabalho da empresa na Coreia do Sul.

Entre as principais reivindicações estão o fim do limite atual de bônus, hoje restrito a 50% do salário anual, aumento de 7% no salário base e a destinação de 15% do lucro operacional anual para pagamento de bônus. O sindicato também cobra maior transparência nos critérios de cálculo da remuneração variável.

A administração da Samsung, por sua vez, rejeitou a retirada do teto e propôs destinar 10% do lucro operacional para bônus por desempenho, além de recursos adicionais para garantir que funcionários da divisão de memória recebam pagamentos superiores aos de concorrentes neste ano. Em nota, a empresa afirmou que continuará buscando um acordo rápido nas negociações salariais.

O sindicato mantém a ameaça de uma paralisação de 18 dias a partir de 21 de maio, caso não haja avanço nas negociações. A entidade estima que uma greve desse porte poderia gerar prejuízos superiores a 1 trilhão de won (R$ 3,3 bilhões) por dia.

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