
A obrigação de investir em data centers na venda da faixa de 6Ghz foi questionada pela Claro e pela Vivo, na audiência pública realizada pela Anatel, nesta sexta-feira, 16/10, em São Paulo. A proposta em consulta prevê financiar núcleos regionais neutros e nós de borda, com prioridade para áreas menos atendidas por esse tipo de infraestrutura. Os recursos seriam aportados pelas vencedoras e administrados por uma entidade constituída por elas, sob a governança de um grupo presidido pela Anatel.
“A questão não é sobre a importância do data center, e sim se a sua implementação deve constituir compromisso vinculado à aquisição de espectro”, declarou a representante da Claro, Monique Barros. A tele destacou que a Anatel acertou em destinar a maior parte da faixa para as teles. Lembrou que a maturidade de equipamentos era essencial para definir o leilão de 6gHz e não há um ecossistema robusto para a frequência.
Lembrou que no leilão do 5G, quando se vendeu a faixa de 26GHz, e até hoje, não há ecossistema para o melhor uso da faixa. A Claro diz que é preciso refletir se a implantação de data centers têm de ser obrigatoriedade de edital de licitação, mesmo reconhecendo a relevância deles para o ambiente digital.
A Claro quer manter os investimentos na ampliação da conectividade. A operadora também pediu a prorrogação da audiência pública, em análise pelo Conselho Diretor da Agência. A Anatel admite que incluir data centers é uma novidade e diz que é preciso abrir o olhar para outros investimentos em infraestrutura digital, mesmo tendo ainda lacunas em conectividade.
A implantação de data centers não é prevista nas politicas públicas de telecomunicações e não pode ser vinculada à liberação de espectro, afirmou o representante da Vivo, Rafael Andrade de Oliveira. A operadora disse que a Anatel acertou em destinar a parte maior do espectro para as operadoras de telecomunicações, mas disse que a licitação só deveria acontecer depois de 2030. A operadora também disse que é desnecessária ter uma entidade administradora.

