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Streaming domina, mercado fonográfico do Brasil fatura R$ 3,95 bilhões e vira 8° do mundo

Digital é maior motor do crescimento, mas traz temores com fraudes e inteligência artificial.

O mercado fonográfico brasileiro manteve sua trajetória de expansão e se aproximou da marca de R$ 4 bilhões em arrecadação anual, consolidando-se como um dos mais dinâmicos do mundo. Em 2025, o setor registrou faturamento de R$ 3,958 bilhões, alta de 14,1% em relação ao ano anterior, segundo relatório divulgado pela Pro-Música Brasil. Com o desempenho, o país avançou para a oitava posição no ranking global da IFPI, dando sequência a uma escalada consistente nos últimos anos.

O avanço é fortemente ancorado no mercado digital, que se tornou o principal motor da indústria. O streaming respondeu pela maior parte das receitas, com R$ 3,4 bilhões em faturamento e crescimento de 13,2% nas receitas digitais. A expansão da base de assinantes de plataformas de música reforça a centralidade do consumo online e evidencia a transformação estrutural do setor, que hoje depende majoritariamente da distribuição digital para sustentar seu crescimento. Mesmo segmentos tradicionais, como as vendas físicas, mostraram sinais de vitalidade, com alta de 25,6% puxada pelo vinil, embora ainda representem menos de 1% do total.

Esse desempenho também reflete o papel estratégico das gravadoras, que seguem como eixo central do ecossistema musical. As empresas ampliaram investimentos na descoberta de talentos, produção de conteúdo e estratégias de distribuição, fortalecendo a conexão entre artistas e audiências em um ambiente cada vez mais digitalizado. O modelo de negócios, baseado em parcerias com criadores, tem sido apontado como essencial para sustentar a expansão acima da média global observada no Brasil nos últimos cinco anos.

Ao mesmo tempo, o crescimento acelerado do mercado digital traz novos desafios, especialmente diante do avanço da inteligência artificial. A indústria fonográfica alerta para o uso não autorizado de obras musicais no treinamento de sistemas de IA generativa, prática que levanta preocupações sobre direitos autorais e remuneração de artistas. A chamada “mineração” de dados, quando realizada sem transparência ou consentimento, é vista como uma ameaça ao modelo de investimento que sustenta a criação musical.

Outro ponto de atenção é a fraude em plataformas de streaming, fenômeno que ganhou escala com a sofisticação de ferramentas automatizadas. Esquemas que utilizam bots para gerar reproduções artificiais desviam receitas e distorcem a distribuição de direitos autorais, criando um mercado paralelo que prejudica artistas e produtores legítimos. A Pro-Música Brasil afirma ter intensificado o combate a essas práticas, o que resultou no encerramento de mais de 130 sites de manipulação de streaming nos últimos anos, sendo 60 apenas em 2025. No mesmo período, uma decisão judicial determinou o bloqueio da maior plataforma internacional dedicada à venda de engajamento artificial, considerada um marco no enfrentamento desse tipo de fraude.


Presidente da Pro-Música Brasil, Paulo Rosa destaca que o crescimento de 14,1% no Brasil supera com folga a média global de 6,4% registrada no mesmo período, alinhando-se ao desempenho da América Latina, região que lidera a expansão do setor no mundo. Para ele, o cenário reforça tanto o potencial do mercado digital quanto a necessidade de atualização regulatória diante de tecnologias emergentes.

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